Homem-Aranha se dá mal ao tentar assaltar restaurante no Centro

João Pequeno, JB Online

RIO - Vestindo camisa com foto do filho único , Matheus, de um ano e meio, o gerente José Fábio Nunes, de 38 anos, temeu que o menino passasse o dia de amanhã sem pai, quando, às 15h30 desta sexta-feira, o assaltante Alcilon Alves de Andrade, de 21, o pôs na mira de uma submetralhadora e mandou que passasse o dinheiro do caixa do restaurante Grupo Chan, no Centro, onde trabalha há 10 anos.

Meia-hora depois, Alcilon estava preso e Fábio já sabia que a submetralhadora não passava de uma réplica, embora o ladrão ainda tivesse uma granada de fabricação caseira que não chegou a usar.

Entre as duas cenas, o assaltante que já tinha mandado de prisão por roubo foi comparado ao Homem-Aranha enquanto pulava telhados tentando fugir de dois PMs do 13º Batalhão, atraindo a atenção de uma multidão de espectadores.

O ladrão chegou ao restaurante às 14h40, de terno e gravata, e comeu, enquanto estudava o local e 50 minutos depois, quando ainda havia 20 clientes, foi ao caixa, apontando a arma falsa para o gerente.

Ele deve ter planejado bem, porque já chegou me chamando de Fábio. Pensei no meu filho, que estava na camisa, no Dia dos Pais.

O assaltante apanhou os R$ 797 do caixa e deixava o restaurante, quando Fábio saiu gritando Pega ladrão! . PMs que passavam na Rua Miguel Couto ouviram e correram atrás de Alcilon, que entrou em um salão de beleza e subiu a escada interna, passando a pular de telhado em telhado até entrar, por uma clarabóia, na termas Centro de Lazer 502, já na Rua da Alfândega.

Parecia o Homem-Aranha comparou o cabo Cléber Jansen, de 37 anos, que estava à paisana e ficou quase meia-hora vigiando a saída da termas para a rua.

A perseguição chegou ao fim quando Alcilon apareceu por uma janela e foi encurralado pelo soldado Haller Monken, de 26 anos, que completava o cerco por cima dos telhados.

A janela dava só para uma sacadinha. Ele não tinha por onde fugir resumiu Haller, acrescentando que Aucilon já estava sem a réplica da arma, que jogara em um telhado. Ele ainda tinha na bolsa a granada, com um alcance de 10 metros, segundo o Esquadrão Antibombas. Felizmente, não usou.

Há cinco anos na PM e quatro meses no 13º Batalhão, Haller disse ao JB que a prisão do assaltante no Centro só não foi sua ação mais marcante até agora porque, no ano passado, resgatou, no estádio São Januário, o adolescente de 17 anos que ameaçava se jogar na partida em que o Vasco caiu para a Série B do Campeonato Brasileiro, ao perder por 2 x 0 para o Vitória.

O rapaz se agarrou na marquise, mas, quando eu puxei, os braços dele já estavam perdendo a força lembrou o PM