Polícia Civil traça perfil das destinações de cada veículo roubado

Mario Hugo Monken, Jornal do Brasil

RIO - Com o IPI mais baixo, o carioca está comprando mais carros. Procura modelos, conhece capacidades de cada veículo. Os bandidos da cidade também fazem essa procura, e acabam optando por tipos bem específicos, dependendo de que modalidade criminosa estejam planejando.

Essa correlação entre carros e crimes foi traçada pelo titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), Márcio Mendonça, que já identificou as preferências dos bandidos para cada tipo de ação, como bondes (passagem de uma favela para outra) ou transporte de armas e drogas.

Segundo ele, os modelos mais roubados continuam sendo os populares como Fiesta, Palio, Gol, Corsa e Siena. Todos servem para abastecer ferros-velhos.

Como são carros de muito uso pela população, há sempre uma grande necessidade de peças.

Modelos antigos e que já saíram da linha de produção, como o Quantum, Parati, Prêmio e Voyage, continuam atraindo os ladrões pela mesma razão dos populares: as peças, que são difíceis de achar no mercado.

Disfarce

Mendonça afirmou que os carros populares os conhecidos modelos 1.0 são caçados pelos criminosos por outro motivo: o transporte de drogas e armas.

Para esse tipo de ação, os ladrões gostam de carros simples, de duas portas, que não chamem a atenção e que sejam comumente utilizados por famílias, por exemplo. Na semana passada, apreendemos um fuzil desmontado dentro de um Palio contou.

Carros que custam acima dos R$ 100 mil como Mitsubishi de cor prata, picape Hilux e Land-Rover são roubados com o intuito de troca por drogas e armas no Paraguai ou na Bolívia.

Segundo investigações da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), neste caso há uma estratégia dos traficantes dos complexos do Alemão e da Penha: eles participam de leilões de veículos batidos e compram esses modelos a um custo mais baixo (em média R$ 40 mil). Depois, vão para as ruas para roubar este tipo de carro. As peças do veículo novo são transferidas para o abalroado, que torna-se legal e é levado para outros países.

Potência

Mendonça afirmou que, quando planejam algum grande assalto, os bandidos roubam veículos de motores mais potentes como o Honda Civic e o Corolla.

Carros mais velozes facilitam fugas justificou. O delegado declarou que, até para fazer bondes (ir de uma favela a outra), os criminosos escolhem veículos:

Eles preferem carros com maior altura, como o EcoSport ou o Meriva porque podem colocar o bico do fuzil para fora da janela.