UFRJ abre sindicância para investigar desvio de verbas em projeto

Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) informou nessa terça-feira que vai abrir, ainda nesta semana, uma sindicância administrativa para apurar denúncias de irregularidades no repasse e utilização de recursos do projeto Praça Onze, responsável por pesquisas de tratamentos e vacinas para doenças como a Aids e tuberculose.

Segundo o professor Mauro Schechter, que coordena o programa, os recursos que afirma terem sido captados por ele próprio para o projeto estariam sendo desviados para outros fins.

A verba sai de instituições estrangeiras, como o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (INH) e é administrada pela Fundação José Bonifácio (FUJB), que possui convênio com a universidade.

De acordo com Schechter, a FUJB estaria cobrando taxas administrativas da UFRJ que somariam R$ 2 milhões entre 10 a 15 anos. Segundo ele, estas cobranças não seriam permitidas. Parte deste montante, segundo o professor, foi retirado da verba destinada aos seus projetos.

Mauro afirmou ainda que houve desvio de recursos que ele captou para outros projetos e, até mesmo, para contas bancárias de terceiros. Ele não soube informar, no entanto, quanto captou e quanto foi repassado nos últimos anos, afirmando que o controle é de responsabilidade da FUJB. Em média, por ano, o repasse teria que ser de US$ 2 milhões , disse

O professor diz que vem denunciando as supostas irregularidades desde 2001. Ele disse, entretanto, que nos últimos meses viu uma luz no fim do túnel com a iniciativa do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público Estadual de realizar uma auditoria no projeto.

Citada pelo professor, a FUJB negou as acusações. O presidente da Fundação, Raymundo de Oliveira disse que houve cerca de R$ 1 milhão destinado ao projeto depositado na conta de uma secretária de Schechter. Ele até agora não deu explicação sobre isso. O dinheiro foi depositado em cheques assinados pelo próprio Schechter. Já entramos com processo na Justiça exigindo esclarecimentos , afirmou. A secretária já foi demitida.

Raymundo declarou ainda que os recursos para o projeto são repassados em dólar e, mesmo com a desvalorização cambial, Mauro não aceitou reduzir seus vencimentos. Segundo o presidente da FUJB, o projeto só não acabou porque muitas pessoas dependem dele.

Representante do Conselho dos Curadores da UFRJ, Sebastião Amoedo, afirmou que faltou transparência no caso do Projeto Praça Onze. Ele declarou que o professor Mauro Schechter colocou nessa terça à disposição do conselho seu sigilo bancário. O Conselho dos Curadores é responsável por aprovar a prestação de contas da universidade e emitir pareceres sobre temas relativos ao patrimônio e finanças. A UFRJ acrescentou que a sindicância será formada por três professores titulares da instituição.

O Projeto Praça Onze começou em 1995 e tem, hoje, 70 pessoas.