Para vereador, prefeitura abandonou o Miguel Couto

Mario Hugo Monken, JB Online

RIO - O presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal do Rio, vereador Carlos Eduardo de Mattos (PSB) esteve hoje pela manhã fazendo uma vistoria na maternidade do Hospital Miguel Couto. Na última quinta-feira, um médico recusou uma gestante que estava com gravidez de alto risco, orientou a mesma a ir de ônibus para uma maternidade em São Cristóvão e escreveu o nome da unidade e as linhas de ônibus no braço da paciente. Ela acabou perdendo o bebê.

Segundo Mattos, faltam 6 enfermeiros e 11 técnicos de enfermagem e o aparelho que detecta sofrimento dos fetos - cardiotocógrafo - está quebrado desde o início do ano. O vereador afirmou ainda que a enfermaria está em obras e que a maternidade funciona com 11 leitos a menos. De acordo com ele, não houve plano de contingência para compensar a falta de leitos para as gestantes. Ele declarou que vai preparar um relatório que deverá ser entregue ainda esta semana ao Ministério Público Estadual com pedido de abertura de inquérito civil público.

Prevista para ter alta hoje, Manuela Costa, 29 anos, que perdeu o bebê, permanece internada na maternidade Fernando Magalhães, em São Cristóvão. Uma outra grávida que também foi recusada no Miguel Couto e orientada pelo mesmo médico a ir de ônibus para a maternidade Fernando Magalhães, disse que o profissional agiu "grosseiramente".

- Cheguei no hospital com a bolsa rompendo e precisava de atendimento. O médico agiu grosseiramente, me puxou pelo braço e mostrou que a enfermaria estava lotada. Eu disse a ele que não adiantava me mostrar que não havia vagas. Então, sem dizer nada, o médico voltou a me puxar pelo braço e escreveu nele o nome da maternidade e os números das linhas de ônibus. Sai de lá rapidamente para dar tempo de ser atendida. O ônibus me deixou longe e tive que pegar uma carona no meio do caminho - disse Valquíria Bernardo Gonçalves, 22 anos, que teve o bebê.