PAC: comunidades abrigam 15 mil empresas, diz estudo

Jornal do Brasil

RIO - As comunidades do Complexo do Alemão, Manguinhos e Rocinha abrigam quase 15 mil empresas formais e informais, segundo pesquisa realizada pela urbanista Ruth Jurberg, coordenadora do trabalho social do Programa de Aceleração de Crescimento no Rio, mas o fato, longe de representar um exemplo do chamado empreendendorismo saudável, é mais uma evidência da dificuldades de as pessoas encontrarem uma oportunidade no mercado de trabalho convencional, na opinião de especialistas da Fundação Getúlio Vargas e do Ibmec.

A pesquisa iniciou-se a partir de entrevistas com um total de 80.835 famílias das três comunidades, ponto de partida para um censo sobre a atividade econômica local, constando a existência de 5.186 empresas no Alemão, 2.942 em Manguinhos e 6.508 na Rocinha.

Fernando de Holanda Barbosa, economista da Fundação Getúlio Vargas, destaca que a iniciativa de pequenos negócios é característica comum entre as comunidades mais carentes do Estado, com predominância absoluta na área de serviços. Isto inclui venda/elaboração de alimentos e prestação de serviços nas áreas de estética de beleza, apoiados pela demanda interna.

A existência desse tipo de microempreendimento não chega a representar uma espécie de formalização da informalidade, de vez que a maior parte dessas iniciativas não recolhe tributos e, emprega até um máximo de três pessoas, e, na esmagadora maioria dos casos, sem registro trabalhista convencional.

Já o economista Marcelo Salim, coordenador do Centro de Empreendendorismo do Ibmec, ressalta que, além nas iniciativas de negócios adotadas por falta de outra opção ocupacional, constata-se alguns casos emblemáticos de empreendimentos originados por oportunidades geradas pelo consumo local. E lembra que entrarão em vigor no próximo dia 1º de junho, alterações na Lei complementar 128, de dezembro de 2008, que criará algumas facilidades para o pequeno comércio de comunidades carentes, com faturamento declarado de até R$ 36 mil mensais.

Para esses, além da opção pelo sistema tributário do Simples, haverá facilidades para registro trabalhista de funcionários.

O presidente da Associação de Moradores e Amigos de São Conrado, José Britz, não se surpreende com a constatação na Rocinha.

Não só há milhares de microempresas como três agências bancárias de inadimplência zero.