Domingo colorido para combater a homofobia

Camilla Lopes, JB Online

RIO - Um ato celebrado aos pés do Cristo Redentor na manhã de ontem lembrou o Dia Mundial do Orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e travestis).

O dia 28 de junho é lembrado desde 1969 quando, nesta data, houve um confronto violento entre a polícia e frequentadores do bar gay Stonewall, na cidade de Nova York. O episódio é um marco na luta da comunidade gay contra a homofobia.

Portando faixas com a bandeira do arco-íris, mais de 60 pessoas de diversas organizações de combate à homofobia e promoção dos direitos humanos do estado participaram do encontro, que também serviu para visibilizar a principal demanda do movimento: criminalizar a homofobia em todo país.

Os ativistas cantaram a música Blues da piedade, de Roberto Frejat e Cazuza, como um grito de reivindicação para um basta aos crimes homofóbicos.

Fizemos um ato parecido como este, há dois anos atrás. Hoje voltamos aqui para agradecer ao Cristo pelas vitórias alcançadas e pedir que os crimes homofóbicos não aconteçam mais em nosso país. Precisamos juntar esforços para que o PLC 122/06 seja aprovado pelo Senado Federal o quanto antes, senão continuaremos a vivenciar as humilhações, as agressões e os assassinatos com requintes de crueldade para com a comunidade LGBT. Basta de homofobia! afirmou Cláudio Nascimento, coordenador de ações do grupo Arcos, superintendente da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do estado.

A presidente do Grupo Arco-Íris, Gilza Rodrigues, o ator-transformista Lorna Washington e a travesti Jane Di Castro também estavam entre os militantes que entoaram palavras de ordem como: Homofobia Não! .

A presidente do Grupo Arco-Íris citou a importância da mobilização social em defesa dos interesses da comunidade LGBT

A nossa luta é pela dignidade, pelo respeito e pelo direito de expressar nosso afeto afirmou.

À tarde foi inaugurado no centro de Niterói o primeiro Centro Cultural LGBT do estado. De acordo com o Vítor De Wolf, coordenador de projetos do Grupo Diversidade de Niterói (GDN) o objetivo do centro cultural e reunir atividades culturais dentro do segmento gay.

Aqui nós vamos ter oficinas de teatro, de literatura e exibições de filmes. É um projeto pioneiro que conta com recursos dos governos estadual e federal e, por isso, todas as atividades serão gratuitas, abertas à população explica.

No fim da tarde no Centro Cultural Oduvaldo Vianna (Castelinho do Flamengo), na Zona Sul, foram exibidos dois longas: Stonewall O lugar dos meus sonhos e Milk A voz da igualdade

Religiosidade

No início da noite foi realizado um culto de celebração pelo Dia do Orgulho LGBT com leitura de manifesto contra a homofobia religiosa e oração pelas vítimas da homofobia.

O reverendo Márcio Retamero, que é responsável pela comunidade reformada protestante Betel, localizada no Flamengo, afirma que a Bíblia não condena a homossexualidade.

Se você estudar a Bíblia de maneira séria e profunda e não apenas as tradiçoes, verá que não tem fundamento algum para aquilo que os fundamentalistas religiosos pregam.

O Reverendo Márcio, que é homossexual e casado há três anos, diz ainda que a comunidade Betel é inclusiva, por aceitar pessoas de qualquer orientação sexual.

Por de trás de cada homossexual assassinado, por trás de cada suicídio, tem a mão pesada dos religiosos. Muitos fundamentalistas dizem nós amamos o pecador mas odiamos o pecado este é um discurso incoerente, porque separa a ação do ser humano, ou seja, é impossível defende Retamero.

O reverendo diz não temer ações contra a comunidade Betel ou contra si próprio.

Recebo muitas ameaças e emails ofensivos, mas não tenho medo. É o meu trabalho e preciso realizá-lo. Não tenho medo.