Rocinha já aceita os ecolimites

Marcelo Migliaccio, JB Online

RIO - Líderes comunitários e diretores da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop) apresentaram nesta quinta-feira o projeto do Parque Ecológico da Rocinha, uma área de lazer, cultura e preservação de 8 mil metros quadrados que pretende conter o crescimento horizontal da favela em direção à floresta que a cerca. Depois de muita polêmica em relação à colocação dos muros de contenção da expansão de moradias, foi celebrada o acordo. E os 2.500 metros de muro serão erguidos.

Nós chamamos os moradores a participar da elaboração do projeto do parque disse o presidente da Emop, Ícaro Moreno Júnior. Fizemos uma oficina em que 50 pessoas escolhidas pela comunidade, com idades entre 4 e 70 anos, disseram o que gostariam de ver no parque e 90% de suas sugestões foram incorporadas.

A um custo aproximado de R$ 10 milhões e com inauguração prevista para fevereiro de 2010, o parque ecológico terá anfiteatro, quadra de esportes, 600 metros de ciclovia em mão dupla, brinquedos, horta comunitária, paredão de escalada, ecotrilhas e muitas árvores frutíferas.

As árvores com frutas foram um pedido meu para atrair as crianças, que adoram contou o presidente da Associação de Moradores da Rocinha, Antonio Ferreira de Mello, o Xaolim, que inicialmente era contra os ecolimites por achá-los discriminatórios. A polêmica em torno do muro acabou nos trazendo mais benefícios.

Cerca de 80 moradias serão removidas da área. As primeiras 19, na localidade conhecida como Cobras e Lagartos, já estão em processo de remoção, com as famílias recebendo indenizações de cerca de R$ 10 mil.

Crescimento vertical

Xaolim, entretanto, mostrou-se preocupado com o crescimento populacional da Rocinha, apesar dos ecolimites e da limitação do gabarito dos prédios em 5 andares inicialmente, medida que foi sucedida por um decreto que proibiu a ampliação vertical das casas.

É complicado, todos os dias chegam caminhões de mudança, parentes de moradores que vêm de outras cidades comentou. É preciso que a prefeitura fiscalize para evitar o crescimento vertical.

Também presente à reunião, o presidente da Associação de Moradores de São Gonçalo, José Britz, disse que a Rocinha não pode mais ser chamada de favela, pois é bairro desde 1993, e frisou que foi sua associação a primeira a pedir melhorias na comunidade vizinha:

Somos os avós do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) brincou, arrancando risos de quase todos os presentes.

Quase porque o vice-presidente da Associação de Moradores da Rocinha, que se identificou apenas como Leonardo, quis polemizar:

Não, ainda somos favela, porque temos o maior índice de tuberculose do Brasil, não temos esgoto, água encanada...

O presidente do Movimento Popular das Favelas discordou:

Essas obras que o governo do Estado e o presidente Lula estão fazendo na Rocinha sempre foram um sonho nosso. disse William de Oliveira. O parque deverá ficar aberto das das 8h às 17h e terá sua principal entrada pela Estrada da Gávea. A segurança interna será feita pela Guarda Municipal e a área fará divida com as localidades de Dionéia e Laboriaux. Os já famosos muros terão três metros de altura.