Linha 4 do Metrô nem saiu do papel e já começa a mexer com a cidade

Carlos Braga, JB Online

RIO - A Linha 4 do Metrô, que ligará a Zona Sul à Barra da Tijuca, ainda não terá saído do papel quando suas primeiras intervenções na cidade já poderão ser vistas. O 19º Batalhão da Polícia Militar (e o posto de saúde ao lado), por exemplo, deverá sumir da paisagem da esquina das Ruas Figueiredo Magalhães e Toneleros, em Copacabana.

O terreno onde está instalado é uma das cerca de 70 áreas, remanescentes da construção da Linha 1 do metrô, que o governo do estado venderá para completar o investimento na construção da Linha 4. Espera-se a arrecadação de R$ 1 bilhão. Nesses terrenos há também praças, mercados populares e até um Ciep. O secretário da Casa Civil, Pedro Paulo, que participou pessoalmente das negociações para a aprovação do projeto na Câmara Municipal, nesta quarta-feira, diz que o batalhão não sairá de Copacabana

Não há hipótese. Imagina se o governador vai tirar o batalhão de Copacabana quando, na verdade, se está pacificando as comunidades da área tranquilizou Pedro Paulo. Essa tem que ser uma indagação ao governo do estado, mas eu tenho certeza que isso daí é só pra beneficiar.

O Ciep Tancredo Neves, localizado em um terreno potencialmente vendável do governo, no Catete, também deve ir abaixo. O mercado popular da Tijuca, próximo à Praça Saens Pena, também deve deve ser removido. O secretário da Casa Civil, porém, se mostrou aberto à negociação com os ambulantes do local.

Será o mesmo procedimento dos camelôs da cidade. Vamos transferir esse trabalhadores para um local até melhor, garantindo a formalização dessas pessoas e transformando-as, inclusive, em microempreendedores garantiu o secretário.

Falta de negociação

Vereadores que apresentaram emendas ao projeto, contudo, se queixam da intransigência com que o executivo tocou as negociações. O líder do PV, Alfredo Sirkis, disse que não houve conversa nem para questões, a seu ver, de fácil solução. Deu como exemplo a construção da Praça Nelson Mandela, em Botafogo. Para fazê-la, conta Sirkis, bastaria transferir a UPA, localizada na Rua Nelson Mandela, para o outro lado da mesma via.

Por falta de diálogo, essa solução não foi adiante. Consagrou-se uma situação esdrúxula, em vez de uma praça que é exigida pela população criticou Sirkis. Ouvi dizer que o próprio governador não queria negociar.

Sirkis também questiona a intransigência do governo em tirar o terreno em que estão instalados o batalhão da polícia de Copacabana e o posto de saúde da lista dos bens vendáveis. Segundo o vereador, as duas construções ocupam 30% do terreno.

O governo poderia vender o restante. E ali ainda há o agravante do aumento do gabarito, que passa de 15 metros para 21 metros de altura.

Para o vereador Eliomar Coelho (PSOL), não houve negociação para a aprovação do projeto. Ele lamentou que áreas de pelo menos uma escola, praças, quadras esportivas, áreas verdes, o 19º Batalhão da Polícia Militar de Copacabana serão vendidas sem uma discussão mais profunda com a população afetada. Eliomar Coelho defende que se busque outras fontes de recursos para financiar a Linha 4.

O projeto veio totalmente fechado, sem nenhuma possibilidade de acolher qualquer emenda que apresentamos; negociação zero. Se a venda é para que se possa construir o metrô para a Barra, por que não se busca outras fontes de recursos?