Sobriedade e frieza pontuam nova fase da moda carioca

Iesa Rodrigues, JB Online

RIO - As novidades do verão seguem preenchendo as três salas dos armazéns do Cais do Porto, na nova fase do Fashion Rio. A esta altura, já é possível avaliar as qualidades e defeitos do evento, agora nas mãos de Paulo Borges, diretor também da São Paulo Fashion Week.

Pela primeira vez, a segurança é quase invisível e as entradas dos desfiles são silenciosas e sem empurrões a equipe tem coordenação paulista, mas no Rio o esquema funcionou melhor do que na cidade de origem. Os camarins são amplos e organizados, as salas, confortáveis. Claro, continua a disputa pelas sacolas depositadas nas primeiras filas, qualquer brinde é cobiçado. Mas há muito menos mimos nesta edição.

Outra qualidade é a evidente vontade de acertar. Se no primeiro dia o piso cinza das salas comprometia a elegância das roupas mais finas, no que o comentário circulou, rapidamente, no dia seguinte, várias salas tinham pisos coloridos ou cobertos com tecidos. Outro palpite, de que a luz era fraca e o som, baixo, também foi corrigido. Pelo menos no desfile da Apoena a música chegou a ficar ensurdecedora. Mais uma qualidade, o fato de incluir no mínimo uma modelo negra ou mulata nos elencos. Não é uma questão de cota. É de saber que este é o Brasil, uma mistura de raças , comentou Isabel Fillardis, uma das belas atrizes negras brasileiras. Quando me perguntam o porquê de não convocarem mais negras nos desfiles, respondo que devem perguntar aos estilistas. Eles deveriam notar que temos uma variedade incrível de cores e tipos brasileiros, mesmo de mulatos a negras. Tem de cabelo liso, careca, crespos, nariz fino, largo... , arrematou Isabel.

E os defeitos? Basicamente, não há. Mas o silêncio, o bom comportamento da plateia, as palmas discretas, tudo qualifica o evento como um tanto frio.

Praias distantes

Nos desfiles de ontem, predominou a praia. Por estranho que pareça, foram praias francesas ou do Caribe. Victor Dzenk mostrou grandes estampas digitais de fundo do mar, peixes e anêmonas, beiras de praia com barracas coloridas, em vestidos curtos ou longos, completados por colares dourados com pencas de peixinhos. Um estilo rico, sensual, ao som de La Madrague, de Brigitte Bardot, já que a Riviera Francesa era a inspiração.

A Cantão transformou a Sala 1 em convés de navio, com direito a velas e mastros, para mostrar as belas estampas com aplicações de paetês cristalinos e moedinhas douradas, os vestidos de babados desfiados e desiguais, os biquínis-pareôs, consequências da referência de piratas de uma ilha distante... no Caribe. Falar em praias tão distantes surpreende quem está no Cais do Porto, em frente à baía de Guanabara.

Falando em praia, Luiza Bonadiman partiu para um conceito completamente distante de quem imagina biquínis e maiôs para singelos mergulhos nas ondas ou nas piscinas do verão. Modelos com golas altas e mangas longas, compensados com grandes recortes nas costas, desfilaram nos corpos brancos das tops como Ana Claudia Michels, calçadas com botinhas de saltos altos.

Carlos Tufvesson e Coven fecharam ontem os trabalhos. Nesta terça-feira, desfilam Walter Rodrigues, Santa Ephigênia, Alessa, Lenny, Giulia Borges e Tessuti. Ontem à noite a Fecomércio e Eloysa Simão apresentaram o Fashion Business Tech em festa no Copacabana Palace.