O verde que o Rio esconde

Carlos Braga, Jornal do Brasil

RIO - Na Semana do Meio Ambiente, que começa na próxima sexta, esqueça um pouco as áreas verdes mais manjadas do Rio, como Jardim Botânico e Parque Lage. A dica é celebrar o verde visitando parques meio desconhecidos sugerimos seis nesta reportagem como o da Chacrinha, uma área de 32 mil metros quadrados de verde dentro das muralhas de cimento e fumaça de Copacabana, administrado pela prefeitura. Alguns passos dentro do parque, que fica perto da Praça Cardeal Arcoverde, e já é possível sentir a temperatura cair, enquanto o barulho dos ônibus desaparece aos poucos.

Eu mesmo, que moro no Jardim Botânico, só conheci o Parque da Chacrinha em 1993, a convite de um amigo. De manhã é muito frequentado por babás e bebês. Depois são estudantes dos colégios vizinhos explica o gestor do Parque, Paulo Gentil.

O Parque da Chacrinha tem várias trilhas íngremes, que podem ser percorridas sem muito esforço. No alto de uma delas, com a Mata Atlântica em volta, é fácil esquecer que estamos em um dos bairros mais populosos do Brasil. A tranquilidade atrai muitos jovens casais de namorados como Hudson Weinstein, 19 anos, morador de Botafogo, e Micaele Araújo, 17, de Copacabana, que se amassavam em um dos cantos do lugar.

É a primeira vez que venho. Nunca tinha ouvido falar daqui espanta-se Hudson. É impressionante um parque desses no meio de Copacabana.

Espaço de sobra

Em geral, dizem os gestores, esses parques são desconhecidos até pelos moradores do bairro, sendo frequentados pelos vizinhos mais próximos. O Parque do Grajaú também se enquadra nessa categoria. Localizado no fim de uma comprida ladeira, só havia três visitantes no começo de tarde da última quinta: um casal, que pediu (muito) para não ser fotografado, e um jovem que aproveitava o silêncio para estudar. Pouca gente para desfrutar dos seus 550 mil metros quadrados.

Trabalho aqui perto. Aproveito a hora do almoço para estudar aqui. Foi um amigo que mora no Grajaú que me apresentou ao parque explica o propagandista de medicamentos Jefferson Gomes da Silva. Senão, jamais saberia que ele existe. Não tem muita sinalização indicando a sua existência.

Uma das diferenças do Parque do Grajaú, em relação à maior parte dos seus coirmãos, é que o churrasco nas suas dependências é permitido nas duas churrasqueiras do lugar, que devem ser reservadas com antecedência. A permissão não significa que se possa armar um pagode ou uma tarde de rock'n'roll na área verde. Há um limite de decibéis estipulado. O casal citado anteriormente, por exemplo, aproveitava a discrição para fazer um piquenique com pães, frios e Roberto Carlos (baixinho). Romantismo que desapareceu assim que viram a câmera fotográfica.

Gostamos muito daqui. É bem tranquilo. Mas você não vai tirar foto da gente, né? É melhor não.

Mais frequentado, mas ainda assim ignorado pela maior parte dos moradores de Jacarepaguá, o Bosque da Freguesia tem o mesmo charme da área verde de 310 mil metros quadrados em meio ao furdunço urbano. Suas pistas planas e bem cuidadas são ideais para caminhadas e corridas não é permitido bicicleta. A garotada vai ao lugar atraída pelas duas quadras polivalentes, onde há aulas de futebol. Não são as únicas atrações do lugar que detém o recorde de promoção do maior número de atividades entre os parques do município. Os frequentadores podem escolher entre meditação, desenho, yoga, esperanto, cosmologia, psicoterapia, tai chi chuan, sahaja yoga, wu hong e alongamento.

Quero trazer os moradores de Jacarepaguá para o bosque. Faltam divulgação e sinalização para saberem que o bosque existe explica a gestora, Vera Lúcia Baldner.