Clube tragado pela favela luta para sobreviver

Marcelo Migliaccio, Jornal do Brasil

RIO - A expansão da Rocinha de São Conrado para a Gávea, que teve seu auge nos anos 80, quase levou à ruína um tradicional clube da Zona Sul, o Umuarama, localizado no alto da Estrada da Gávea e hoje inserido na parte da comunidade chamada 199.

Já tivemos 3.000 sócios, nos bons tempos, início dos anos 70. Hoje, somos apenas oito tentando levar isso aqui para a frente diz Maurício Rocha Souza, atual presidente e sócio desde 1968.

Com a aproximação dos barracos, os associados tradicionais foram debandando e eventos como os concursos de Miss Guanabara deixaram de ser realizadas na sede do Umuarama.

Quando dava meio dia e meia, você não conseguia mais espaço na borda da piscina descreve outro sócio remanescente, Roberto Cláudio. Mas a coisa no clube ficou tão ruim que chegamos a tirar 14 caminhões de lixo daqui.

Desde 2000, e até o final do último mês de abril, o Umuarama sobreviveu por sediar o projeto social Segundo Tempo, do governo federal, que proporcionava atividades esportivas para 400 crianças e adolescentes.

O número de jovens atendidos foi diminuindo até que a ONG Instituto Rumo Certo nos comunicou que não havia mais verba afirma Ney Helou, ex-presidente.

Um dos instrutores da garotada era o ex-campeão de atletismo e ex-participante do reality show No Limite, da Rede Globo, Paulo César Amendoim, 52.

Acho que o projeto vai voltar no segundo semestre. Estou preocupado com o que pode acontecer com essa garotada diz Amendoim, que afirma não ter ganho nada com a aparição na TV. Quem ganhou foi a Rocinha, pela divulgação. Eu sobrevivo como guia turístico, porque sou formado em letras.

Entre a diretoria do clube, a meta é tentar outros convênios que garantam a sobrevivência da instituição, fundada em 1966.

Entre 2002 e 2003, a Universidade Estácio de Sá desenvolveu um projeto de fazer aqui a sede um centro de estudos para os moradores da Rocinha. Seria a primeira faculdade para jovens carentes conta Roberto Cláudio. Mas, por pressão dos moradores do Alto Gávea, que estavam preocupados com o trânsito, a prefeitura embargou. Agora, procuramos a Estácio de novo.

Maurício diz que o esquema planejado é simples e visa também atrair novos sócios da Zona Sul.

Com recursos, podemos fazer os projetos sociais durante a semana e deixar os sábados e domingos para os sócios.