Vida fácil no Complexo do Alemão

JB Online

RIO - A primeira grande inauguração das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), nesta sexta-feira, no Rio mobilizou um esquadrão de autoridades dos governos federal, estadual e municipal para duas das regiões mais miseráveis e violentas da cidade Manguinhos e Complexo do Alemão. Locais onde, como cansou de repetir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre uma ovação e outra à ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata à sucessão de Lula em 2010 nunca na história deste país um presidente ou governador frequentou por tantas vezes. No caso do Alemão, a atenção oficial se refletiu em 56 unidades habitacionais, um centro de geração de renda e áreas de esporte e lazer. Já Manguinhos recebeu um parque aquático, um ginásio poliesportivo e o Complexo de Atendimento à Saúde (CAS) uma espécie de super UPA (Unidade de Pronto-Atendimento).

Não quero mais ouvir falar em favela, mas sim em bairro, vila, comunidade discursou o presidente Lula em Manguinhos. Este lugar era tão mal afamado que, primeiro, até o Exército foi embora, e segundo, vocês nunca pensaram em ver aqui um presidente da República. Em menos de um ano, o governador e o presidente vieram mais aqui do que nos últimos 200 anos.

Ao todo, serão investidos R$ 991 milhões na construção de unidades habitacionais e infraestrutura, num convênio entre as três esferas de governo. Segundo o ministro das Cidades, Márcio Fortes, serão investidos R$ 5 bilhões em obras do PAC para urbanização de favelas e saneamento no estado do Rio. Só no Alemão foram investidos R$ 623 milhões. A prefeitura recebeu R$ 80 milhões e investiu R$ 26 milhões, enquanto o governo estadual teve repasse de R$ 371 milhões, para uma contrapartida de R$ 145 milhões.

Foram entregues 56 unidades habitacionais duplex de 58 metros quadrados. O PAC do Alemão teve início no primeiro semestre de 2008 e seu cronograma está em dia, com 23% de execução e previsão de término em setembro de 2010.

De acordo com a ONG Contas Abertas, porém, em dois anos de PAC, apenas 3% das obras foram concluídas. O levantamento da ONG revelou que, dos 10.914 empreendimentos distribuídos nos 27 estados, apenas 3% foram concluídos e 74% sequer saíram do papel.

Super UPA

O entrosamento que os governos municipal, estadual e federal fizeram questão de frisar ontem para o público poderá ser constatado no CAS inaugurado em Manguinhos. A unidade a 22ª UPA instalada no estado conta com 26 leitos, atendimento de emergência, ambulatório com 10 consultórios e 29 leitos, farmácia, laboratório para exames e salas de raios X, sutura, medicação e nebulização. A gerência da unidade ficará a cargo da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), órgão do governo federal.

O Centro de Geração de Renda, inaugurado também em Manguinhos, ocupa 555 metros quadrados de um prédio que seria desocupado pelos Correios devido à violência da região. O imóvel comporta salas para incubadora, microcrédito e uma multiuso, além da administração para serviços de apoio. O objetivo é fazer com que o Centro se torne um programa de intermediação de mão de obra entre empresas e trabalhadores.

A comunidade do Alemão também recebeu uma nova área de lazer. O espaço conta com quadra poliesportiva, campo de futebol society em grama natural, ambos dotados de sistema de iluminação artificial, além de áreas verdes e praças com brinquedos para entretenimento infantil. O presidente Lula e o governador Sérgio Cabral assistiram ao menino Cristiano nadar na piscina semiolímpica no lançamento das obras do PAC, ele foi visto por Lula nadando numa poça d'água.

Inauguramos hoje uma série de obras históricas para esta comunidade que, há anos e anos, não recebia qualquer atenção dos governos anteriores. E o trabalho aqui não para adiantou Cabral. Em novembro, vamos entregar, além de moradias para famílias que residem em áreas de risco, um Centro de Geração de Renda, um Centro de Referência da Juventude, uma Biblioteca Pública, entre outros serviços voltados para a cidadania.

Segundo Lula, o governo federal está investindo mais de R$ 1 bilhão no Rio, a fim de consertar as coisas mais viáveis , seja em Manguinhos, no Pavão-Pavãozinho, no Complexo do Alemão ou na Rocinha.