Cabral chama liminar contra as cotas de "mesquinharia"

Ana Paula Verly, JB Online

RIO - Apoiado por reitores, pela atriz Zezé Mota e por representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), o governador do Rio, Sérgio Cabral, classificou ontem de mesquinharia brutal a suspensão da lei que reserva vagas para negros, índios, egressos de escolas públicas e filhos de PMs, bombeiros e agentes penitenciários mortos em serviço.

Temos anos de dívida com os afrobrasileiros enfatizou o governador, que pretende recorrer ao Superior Tribunal de Justiça caso o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio não derrube, na segunda-feira, a liminar que suspendeu a lei das cotas raciais nas univesidades estaduais.

O argumento é o risco de anulação do vestibular, com um prejuízo de R$ 750 mil e futuros processos movidos por estudantes já inscritos na seleção contra o estado.

Em um discurso ontem no Palácio Guanabara, Cabral também citou Obama e a princesa Isabel, ao comparar a liminar à perseguição a Dom Pedro II depois da abolição da escravatura, para desestabilizar o reinado , e ao qualificar o presidente americano como filho indireto das cotas .

A lei foi copiada dos Estados Unidos, que conseguiu criar uma classe média negra forte. Não é à toa que lá você vê famílias negras no teatro e no restaurante ponderou Cabral.

Ricardo Vieiralves, reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde estudam 11 mil cotistas, chamou de racistas e fascistas os argumentos da liminar, iniciativa do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP). Também anunciou a produção de uma pesquisa com os egressos da Uerj, a fim de descobrir se estão empregados e sua situação familiar.

O secretário de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso, disse que, se a suspensão da lei for mantida, tentará adiar o efeito da liminar para o ano que vem. Cardoso argumenta que teria dificuldade em organizar outro vestibular.

Se começou o jogo, não pode mudar a regra justificou.