Colecionador só dá valor a notas sem manuseio

Marcelo Migliaccio, JB Online

RIO - Dono da loja DPL Numismática, no Centro do Rio, Daniel Pereira de Lima faz um apelo enfático antes de começar a entrevista:

Por favor, coloque em destaque que as notas só tem valor para os colecionadores se estiverem sem uso, sem uma dobra sequer nem amassado frisa. Senão, amanhã, vai encher de gente aqui querendo vender nota velha!

Feita a ressalva, Daniel explica que algumas notas de R$ 1 já são compradas por colecionadores por R$ 20:

Uma nota fabricada entre 1994 e 1997, com marca d'água da efígie da República, com fio de segurança e sem a inscrição Deus seja louvado é das mais valiosas diz Daniel, que trabalha com numismática a ciência das moedas e medalhas desde 1985.

Também expert no assunto, o comerciante numismata João Gusmão conta que há outras características que tornam as cédulas mais valorizadas:

As notas com defeito são raras e quando o Banco Central percebe, tira de circulação imediatamente afirma. Algumas são um pouco maiores ou não ficaram centralizadas. Já vi um colecionador pagar R$ 300 por uma nota de R$ 1 em que o número de série estava cortado e misturado com o da cédula seguinte.

Daniel diz que uma nota de R$ 50 com as assinaturas de Pedro Malan e Pérsio Arida, produzida em 1995 num pequeno lote, pode valer inacreditáveis R$ 1.500:

O valor era alto na época e por isso era difícil de as pessoas segurarem sem usar para a valorização. Todo mundo acabava gastando logo

Já as notas com a assinatura da ex-ministra da Economia Zélia Cardoso de Mello, por exemplo, valem pouco.

Ela ficou muito tempo no governo e foram emitidas muitas.

Conservação

Daniel diz que as cédulas têm mais valor comercial no universo numismático por serem mais difíceis de conservar.

É preciso guardar em um álbum que só se vende em casas especializadas lembra.

João Gusmão, que atualmente não trabalha mais com moedas e notas antigas, lembra que as primeiras também podem vir com defeito, o que as torna alvo dos colecionadores.

Às vezes, no momento em que está sendo cunhada, a moeda gira e a efígie de uma das faces não fica na mesma direção do valor numérico na outra.

E Daniel faz questão de diferenciar colecionadores de juntadores . Segundo ele, os maiores eventos da numismática no país acontecem em São Paulo e são mais esporádicos no Rio de Janeiro.