Novela do IED na Urca continua nesta quarta-feira

JB Online

RIO - A novela em que se transformou o antigo prédio da TV Tupi mais conhecido como Cassino da Urca terá mais um capítulo nesta quarta-feira na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj). A Casa vota, já em segunda discussão, um projeto de lei do deputado Eliomar Coelho (PSOL) que tomba várias construções da Urca e seus entornos entre elas, o Cassino com o objetivo de evitar alterações de uso que possam causar impactos no bairro.

O projeto vem de encontro ao Istituto Europeo di Design (IED), que vem reformando o imóvel há mais de um ano na expectativa de lá instalar-se até novembro. Para os moradores, o instituto vai prejudicar os já combalidos trânsito e sistema de esgoto do bairro.

A presidente da Associação de Moradores da Urca (Amour), Celinéia Paradela Ferreira, reuniu 2.913 assinaturas de pessoas posicionando-se contrárias à instalação do IED. Celinéia lamenta que os sucessivos adiamentos da votação tenham desmobilizado os moradores do bairro, mas planeja levar cartazes e cerca de 20 pessoas à Alerj para tentar influenciar o voto dos parlamentares.

O projeto não interrompe a obra, mas será mais uma arma porque qualquer que seja o destino do imóvel a comunidade deverá ser consultada comentou. Já tivemos várias propostas, entre elas a de um museu, mas também pensamos num centro de pesquisa de espetáculos teatrais e cinema, por exemplo.

O objetivo da IED é inaugurar o local em setembro. As obras em 2006 e custaram em torno de R$ 17. O instituto, por meio de sua assessoria, recusou-se a dar informações sobre as preocupações dos moradores quanto aos impactos no trânsito, no meio ambiente e na possibilida de embargo da obra. Em nota, a assessoria respondeu apenas que "o IED não tem nada a declarar sobre a tentativa do PSol de colocar um PL em votação na Câmara".

O PL nº 1552/2007 visa tombar construções da Urca que fazem parte da paisagem do bairro, como a Amurada da Urca, a ponte na Avenida Portugal e o Quadrado da Urca, além do Cassino que, no entanto, já era tombado pelo decreto 7451 de 03 de março de 1988. Por isso o IED apenas reformou o imóvel, que foi cedido pelo município. O PL, porém, reforça o decreto ao prever instrumentos que protejam o bem e seu entorno dos impactos que uma alteração de uso possa provoca.

Um dos principais problemas é o impacto no trânsito. Para isso, o IED já concluiu uma agulha em frente ao imóvel que servirá de retorno para os veículos. A idéia é que os estudantes usem um estacionamento na Rua Lauro Miller e o instituto ceda vans para levá-los até o centro da Urca. O estacionamento, porém, é alvo de uma ação civil público impetrada pela Amour e pela própria prefeitura, uma vez que o local seria uma Área de Proteção Ambiental, conforme parecer do Conselho Municipal de Meio Ambiente.

Serão cerca de 600 estudantes circulando diariamente pela região, cujo sistema de esgoto é um dos mais combalidos da cidade e alvo constante de reclamações e remendos da Cedae. Os moradores temem ainda uma mudança brusca em seu habitat. A filial de uma das maiores redes de botequim já foi inclusive inaugurada em frente à sede do futuro IED.

Nada, porém, capaz de abalar a fachada já reformada do edifício, ainda mais belo sob as vistas do Cristo Redentor e do Pão-de-Açúcar. Morador do bairro há 55 anos, o jornalista Paulo Mello é ex-presidente da Amour e ajudou inclusive a lutar pelo tombamento do imóvel, em 1988, impedindo assim que se transformasse num mega-hotel. Hoje, porém, ele afirma apoiar o novo projeto.