Federação Israelita exige explicação sobre quadros

Jornal do Brasil

RIO - O diretor jurídico da Federação Israelita do Estado do Rio (Fierj), Jacksohn Grossman, disse que a entidade enviará até quinta-feira uma notificação não-judicial pedindo esclarecimentos a Luiz Fernando Penna, proprietário da casa decorada com peças nazistas na Gávea que foi usada numa festa da empresa alemã Adidas, na última sexta.

Depois de avaliar o caso, Jacksohn não tem dúvidas de que o uso do imóvel por terceiros pode ser enquadrado na lei federal que proíbe divulgação de elementos nazista e, caso o proprietário se recuse a retirá-los, será acionado judicialmente.

O proprietário se diz colecionador, mas a casa é usada por um público diferenciado, é franqueada ao público, e não usada como residência argumentou Jacksohn. Após a nossa notificação, ele vai nos dizer quais procedimentos vai adotar e então nós vamos estar quais medidas tomaremos. Se ele se recusar a tirar os elementos, poderá ser enquadrado na lei federal.

Por sua raridade

A lei 7.716 prevê de 2 a 5 anos de prisão para quem fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propagandas que utilizem a cruz suástica, ou gamada, para divulgação do nazismo. Penna afirmou ser um colecionar de obras de referência de diversos períodos históricos, por sua raridade .

Os azulejos da borda da piscina de Penna trazem desenhos que foram interpretados como suásticas por alguns dos convidados. Penna afirma se tratar de um ornamento grego.

Num dos quartos, havia ainda a pintura de um oficial nazista e um poster da Marinha nazista. Entre os 400 convidados, estavam o poeta Michel Melamed, o escritor João Paulo Cuenca e a cantora Thalma de Freitas, que deixaram a festa.

A Adidas do Brasil informou que desconhecia a existência de símbolos nazistas na casa e lamentou o fato, responsabilizando a produtora Slash/Slash, contratada para produzir sua festa de 60 anos.

A casa já foi usada em várias festas e no filme Meu Nome Não é Johnny. Luiz Fernando Penna, que é presidente da Associação de Moradores do Alto Gávea (Amalga), afirmou ser colecionador de quadros do nazismo, assim como de outros regimes totalitários.