Água: produtores recebem para preservar

João Pequeno, Jornal do Brasil

RIO - Produtores rurais de Lídice, distrito de Rio Claro, no Sul Fluminense, começaram segunda-feira a receber pagamentos para preservar matas ciliares (nas margens dos rios) em suas propriedades.

Num valor total de R$ 17 mil, o primeiro lote de compensações foi entregue aos 18 primeiros proprietários de terras rurais em Rio Claro que se inscreveram como Produtores de Água e Floresta, como foi denominada a iniciativa, elaborada por organizações ambientais e de gestão compartilhada entre ONGs e governos nos níveis nacional, estadual e municipal, para melhorar a qualidade da água.

Neste caso, trata-se do Rio Guandu, que abastece cerca de 7 milhões de pessoas no Rio de Janeiro e Região Metropolitana, e recebe águas nascidas nos mananciais da bacia hidrográfica do Rio das Pedras, em Lídice, que passam antes pelo Rio Piraí, cortando o Sul Fluminense.

Abastecimento e energia

Além de fornecer 80% da água consumida no Grande Rio, a Bacia do Guandu responde por 25% de sua energia, através de hidrelétricas como o sistema de Ribeirão das Lages, em Piraí.

Para preservarem a Bacia do Rio das Pedras, de 5 mil hectares e próxima ao Parque Nacional da Serra da Bocaina, os produtores da região receberão compensações financeiras de acordo com o cálculo aproximado da produtividade que eles teriam com cultivos agrícolas ou com pecuária, e também conforme a localização de suas terras e a qualidade de conservação das matas mantidas por eles.

Os pagamentos, segundo o convênio aprovado pelo Comitê Gestor do Guandu, e com participação do Ministério do Meio Ambiente e do Inea (Instituto Estadual do Meio Anmbiente), além das ONGs, podem chegar a R$ 60 por hectare.

A previsão de gastos para este ano é de R$ 40 mil, mas o valor deve subir para R$ 200 mil em cada ano seguinte, em orçamento aprovado pelo mesmo Comitê Gestor da Bacia do Guandu, segundo Fernando Veiga, coordenador de Serviços Ambientais da organização TNC (The Nature Conservancy), idealizadora do projeto, que já foi implantado em 2007 nas bacias PCJ - dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, em São Paulo, em uma rede de águas que abastecem parte da capital paulista e sua Região Metropolitana.

Os pagamentos aos produtores de Rio Claro serão custeados pelas taxas cobradas pelo Comitê dos principais usuários da Bacia do Guandu, como distribuidoras de água e indústrias de grande porte da Região Metropolitana do Rio.

Veiga não soube especificar quantos produtores poderão se somar ao projeto na região, mas está previsto um primeiro grupo de 60 ainda neste ano, segundo o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que segunda-feira entregou um cheque simbólico a um dos produtores, junto com o governador do Rio, Sérgio Cabral.

De acordo com o ministro, as compensações aos produtores são apenas uma parte do projeto do Parque Fluvial do Guandu, que, entre praias e outras atrações, deve ter até R$ 8 milhões em investimentos e infraestrutura de governos e empresas.

Minc diz que ele economizará, porém, o processo que torna a água potável e própria para demais usos na Estação de Tratamento do Guandu.

Vai baratear o custo da Estação do Guandu com cloro e sulfato de alumínio, por exemplo, usados para tornar a água potável, uma vez que a mata ciliar preservada impede o assoreamento e ela chega à estação mais limpa, com menos resíduos sólidos, como pedras e terra.