Recreio faz protesto contra demolições da prefeitura

Renata Ramos, Jornal do Brasil

RIO - Com o grito de protesto que dizia abaixo a covardia, queremos moradia , cerca de 150 pessoas participaram de uma manifestação domingo pela manhã na altura do Posto 12, no Recreio dos Bandeirantes. Os moradores das Ruas 2W, Gilka Machado e outras no entorno do Pontal faziam ato contra as demolições que fazem parte do Choque de Ordem, realizado pela Secretaria de Ordem Pública no bairro. Segundo os moradores, cinco prédios já foram demolidos e outros estão ameaçados.

Enquanto há campanha para moradia, a prefeitura está colocando gente na rua. Compramos o imóvel há 15 dias e agora vemos somente entulho reclamou Luciane Luppi, que se preparava para ocupar um apartamento no número 433-A, da Rua 2W.

Os moradores alegam que não sabiam das irregularidades. Afirmam que compraram os apartamentos com economias realizadas ao longo de anos.

Nosso objetivo é a regularização. Queremos ao menos conversar para chegar a um acordo disse o aposentado Valois Santos, de 73 anos.

A passeata percorreu a Rua Gilka Machado e parou em frente ao entulho restante de um prédio já demolido.

Fui acordada pela manhã e passei mal quando soube da demolição lembrou Elizabeth Vieira, de 73 anos, que já estava morando no prédio ainda em construção. Não consegui tirar todas as minhas coisas porque tive que ser atendida por uma ambulância.

O grupo estava recolhendo assinaturas para tentar entrar com uma ação no Ministério Público e impedir demais demolições, já previstas para os próximos dias. A intenção é conseguir mais de cinco mil assinaturas.

Não imaginava que a obra era ilegal. O prédio já estava quase pronto. Paguei R$ 110 mil por um apartamento de dois quartos e vou ter que continuar morando de aluguel disse o dentista Antônio Maria.

O apoio político para a manifestação era feito pelo deputado estadual Paulo Ramos (PDT):

A manifestação demonstra que os moradores não são milicianos, como está sendo dito, e não agiram de má fé com a compra defendeu Ramos. Não há necessidade de truculência. O certo é fazer uma reunião com os moradores. Não estamos defendendo a ilegalidade e sim o direito à moradia.

Há 17 anos na Rua 2W, o aposentado Marcelo Mira Nespido, mostra os recibos de pagamento do IPTU, de R$ 751.

Quando mudei ninguém tinha interesse na área. Estou preocupado, pois moro com mais quatro pessoas e tenho 15 dias para sair antes da demolição reclamou Nespido.

Bethlem justifica demolições

Questionado sobre as reclamações dos moradores, o secretário de Ordem Pública, Rodrigo Bethlem, afirma que as construções não respeitam qualquer regra.

São prédios construídos na irregularidade e alguns oferecem risco aos moradores. Eles infringem várias regras e isso não pode mais acontecer na cidade afirma Bethlem. Não se trata de população necessitada, não é uma questão social. São pessoas que quiseram dar uma de espertos e comprar um imóvel muito mais barato do que ele realmente é. Ninguém deve comprar um carro por 1/5 do valor real, pois sabe que pode estar comprando algo irregular, roubado ou clonado, por exemplo.

A prioridade da secretaria é demolir primeiramente os prédios ainda em construção ou que ofereçam risco à população.

Não é verdade que os moradores não foram avisados. Há notificações datadas de 2006. Já demos prazo para que as pessoas tirem os pertences dos imóveis afirmou o Secretário. É muito importante verificar a seriedade das construções durante a compra do imóvel, como atestar a licença da obra e perguntar se o imóvel tem registro. Os moradores prejudicados devem cobrar seus direitos aos construtores.