Como escapar de furadas higiênicas em restaurantes no Rio

Carlos Braga, Jornal do Brasil

RIO - Abandone toda a esperança aquele que aqui entrar . A inscrição que Dante Alighieri pôs no umbral do inferno poderia também servir de aviso na entrada da cozinha de muitos restaurantes e botecos cariocas. Mas, sem a tabuleta, o melhor que o carioca pode fazer é aprender com os fiscais da Vigilância Sanitária os sinais que podem fazer de um restaurante ou bar um verdadeiro risco para a saúde.

Segundo os agentes que fazem os Choques de Ordem na Zona Sul, em parceria com a Vigilância Sanitária, alguns sinais de desleixo delatam como a cozinha vai tratar a mesa.

As aparências da loja enganam. Muitos capricham no salão, e abandonam a cozinha. O importante é reparar muito bem em quem está servindo. Se o garçom está bem uniformizado, se a roupa é limpa lembra Paulo Heráclito, 27 anos, administrador da 5ª Região (Copacabana e Leme), que já está bem escolado na Operação Bar Legal para quem a principal dica é ver a cara. Se o dono do botequim estiver com a unha enorme, se a cara dele mostra desleixo, o cuidado com o bar é o mesmo.

Para Heráclito, que também é médico, um bom sinal de higiene é quando o cliente consegue ter uma visão da cozinha, por meio de janelas. Segundo ele, o dono mostra interesse nas condições de higiene quando o espaço está mais visível.

Segundo fiscais, um bom sinal, porém mais difícil de ser visto, é o banheiro dos funcionários. Se a portinha, normalmente exclusiva para os que trabalham na loja, abrir uma brecha, o cliente pode ver respostas para dúvidas de limpeza.

Nas operações que realizam, de dia ou à noite, não é raro que os fiscais da Vigilância Sanitária se deparem com situações que fazem o estômago revirar. Como uma revoada das baratas de uma panela.

Nesses casos extremos, o estabelecimento pode ser imediatamente interditado. Quando eles encontram apenas paredes e utensílios engordurados, ou um gato passeando na cozinha, lavram um auto de infração no valor de R$ 971. O JB acompanhou, na última quinta, uma blitz noturna da Vigilância Sanitária em Copacabana.

Achamos baratas na despensa da cozinha e havia um gato lá. A ração dele estava armazenada com os alimentos. O dono disse que as baratas eram do vizinho conta Heráclito, que coordenou a ação no bar Mayflower, na última quinta.

De tanto que viu, o administrador regional já mudou seus costumes e o tamanho importa.

Comer em botequim, daqueles minúsculos, nunca mais. O tamanho deles normalmente os obriga a amontoar os produtos de qualquer maneira.