Novo projeto imobiliário ameaça Lagoa de Jacarepaguá

Ana Paula Verly, Jornal do Brasil

RIO - A faixa marginal de proteção da Lagoa de Jacarepaguá foi invadida pelo sistema de drenagem de um empreendimento imobiliário, o Laguna, em construção na região. A denúncia é do Projeto Olho Verde, do biólogo Mário Moscatelli, que fotografou o avanço da obra na semana passada.

As faixas marginais de proteção são áreas onde não é permitida a edificação, mas na baixada de Jacarepaguá, como em boa parte de nossa cidade, são invadidas para os mais diversos fins alerta Moscatelli.

O biólogo destaca a favelização, além da criação de drenos e canais, como causas das invasões, que suprimem a vegetação residual nativa ainda existente .

O que também se destaca é a necessidade emergencial, por parte do poder público, de criar um sistema de monitoramento ambiental, atualmente inexistente, até na área urbana, onde a degradação da natureza ocorre de forma corriqueira sem ação permanente das autoridades para combatê-la reclama.

Mário afirmou que vai pedir um encontro com representantes da Secretaria de Estado de Ambiente e com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para apresentar sugestões de possíveis soluções para o gerenciamento ambiental preventivo e reativo.

A degradação é democrática, sendo executada por todas as classes sociais ironiza Moscatelli, lembrando que favelas e invasões também são responsáveis pelo depósito de dejetos no lençol d'água.

O Secretário Municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, determinou que uma equipe da fiscalização fizesse uma vistoria técnica, na quinta, para examinar a extensão do dano ambiental provocado pelo empreendimento imobiliário na Lagoa de Jacarepaguá. Segundo nota oficial, os técnicos foram incumbidos de verificar, inclusive, se essas valas de drenagem que aparecem na foto enviada pelo biólogo estão de acordo com a planta original.

A secretaria também informou que o empreendimento imobiliário receberá multa por remoção ilegal de vegetação, sem especificar o valor, e que vai vai ouvir os órgãos envolvidos no licenciamento do empreendimento, incluindo o Inea (Instituto Estadual do Ambiente), já que a licença foi emitida pela sua antecessora, a extinta Feema.