Arquidiocese justifica apartamento de R$ 2,2 mi

JB Online

RIO - Um imóvel no Flamengo, no valor de R$ 2,2 milhões, segundo o 3º Registro Geral de Imóveis do Rio, pode ter sido a causa de um tremor nas contas da Arquidiocese do Rio, a ponto de provocar a demissão do padre Edvino Steckel do cargo de ecônomo (administrador dos bens e das contas) da seção da Igreja. A demissão ocorreu após a posse de dom Orani Tempesta, e o imóvel se destina ao seu antecessor, dom Eusébio Scheid.

A Arquidiocese, no entanto, justifica a demissão do ecônomo como procedimento padrão. De acordo com a assessoria de comunicação da entidade, o padre Steckel foi o próprio autor do pedido de demissão do cargo. É costume, segundo a Arquidiocese, que os religiosos coloquem as funções à disposição quando um novo coordenador assume. Até agora, dom Orani não ordenou de própria vontade qualquer alteração de cargos.

A Igreja ainda justificou o apartamento de 500 metros quadrados cujo condomínio custa R$ 2 mil mensais, como um bem da instituição usado para o trabalho de evangelização. Assim como outros imóveis, o apartamento é patrimônio e pode ser alugado.

Segundo a Arquidiocese, a demissão foi encaminhada a dom Orani, que consultou os bispos-auxiliares, o conselho administrativo e os consultores, que aceitaram a renúncia de Steckel. No entanto, o ex-ecônomo não pediu demissão da direção da rádio Catedral.

Dom Orani teria até adiado viagem para Alemanha a fim de resolver o problema, segundo o jornal O Dia, que noticiou a compra.

O novo ecônomo será o monsenhor Abílio da Nova. A reportagem do JB procurou dom Eusébio Scheid, que mora em São José dos Campos, interior de São paulo, mas, segundo sua assessoria de imprensa, o cardeal não comenta o caso. Também procurado, o padre Steckel estava ausente de sua sala, disse a secretária de sua paróquia.