Tribunal autoriza evangélico Elvis a mudar nome para evitar chacotas

Marcelo Migliaccio, JB Online

RIO - Era agora ou nunca, como diz o refrão de uma das músicas de maior sucesso do chamado Rei do Rock. Para Elvis Presley Silveira Ferreira, de 26 anos, esta segunda-feira foi de alívio, porque a 2ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio autorizou que ele vá ao cartório onde foi registrado ao nascer e troque o nome com o qual seu pai homenageou o cantor americano morto em 1977.

Ele se sentia mal com as chacotas justifica o defensor público Felipe Matos, que advogou a causa do homônimo do astro conhecido como The Pelvis. Toda vez que o chamavam pelo nome, alguém cantava o trecho de uma música do Elvis, isso o deixava muito angustiado.

Por não ter tomado a iniciativa de trocar seu nome no ano que se seguiu ao seu aniversário de 18 anos, Elvis Silveira Ferreira só ganhou o direito de abolir o Presley de sua certidão de nascimento após a conclusão do processo judicial, julgado agora em última instância.

A primeira tentativa de Elvis foi em 2006, na Vara de Família, Infância, Juventude e Idoso de Bom Jesus do Itabapoana, sua cidade natal. Mas a juíza Mônica Pancho Emilião não considerou que o pedido se enquadrasse dentro das chamadas hipóteses extraordinárias previstas na legislação.

A juíza não considerou ser vexatório chamar-se Elvis Presley, mas nós acreditamos que o constrangimento é relativo, alguns aceitam melhor as gozações, outros não afirma o defensor Felipe Matos.

Ao conceder ao Elvis do Noroeste Fluminense o direito de não ser mais Presley, o desembargador, e relator da apelação cível, Maurício Caldas Lopes afirmou:

O nome, composto de prenome e sobrenome, identidade externa da pessoa, se constitui em autêntico direito da personalidade e quando exponha seu portador a situações de constrangimento e aflições, pode e deve ser alterado.

Evangélico há três anos, Elvis afirmou durante o processo que, quando criança, levava as piadas na brincadeira. Mas, recentemente, começou a se incomodar com perguntas maldosas sobre se consumiria drogas como teria acontecido com o cantor americano, morto por overdose aos 42 anos. Elvis Silveira contou também ter sido alvo de gozações até mesmo dentro de um posto do Detran, ao renovar sua carteira de motorista.

O defensor público Felipe Matos disse que Elvis Silveira perdeu o prazo de um ano após completar a maoridade para trocar o nome, por falta de informação .

Morador do centro do município de Bom Jesus, ele agora vai ao cartório sacramentar a mudança. Ao contrário da lenda, pelo menos naquela cidade, Presley morreu.