Crack: Rio passará a ter sete centros de tratamento

Ana Paula Verly, Jornal do Brasil

RIO - O secretário municipal de Assistência Social, Fernando Wiliam, chama de epidemia o consumo de crack na cidade. Não sabe quantos viciados há, mas lembra que o censo de 2008 apontou 400 menores em situação de abandono nas ruas. Nove em cada 10 deles usam a droga, uma mistura química quatro vezes mais potente que a cocaína. Entre os 300 locais de uso mapeados no Rio, está a Rua Sá Ferreira, onde o combate ao problema se resume até agora ao recolhimento dos menores.

No dia 27 de maio Wiliam entrega ao prefeito Eduardo Paes um conjunto de propostas. A mais importante é a ampliação da rede de acolhimento, tratamento psicológico e atendimento médico da secretaria, com mais quatro unidades prontas em até 120 dias atualmente são três. Em 14 de maio, Wiliam vai à Brasilia para pedir recursos e ações aos ministérios do Desenvolvimento Social, Justiça e Saúde e à Secretaria Antidrogas.

Eles precisam de tratamento médico, de desintoxicação, para ficarem de 15 dias a um mês internados. Depois, devem ir para um abrigo, onde a situação familiar precisa ser avaliada defende.

De acordo com Wiliam, a prefeitura tem 2.146 vagas para usuários de crack na rede de abrigos. A maioria dos que vão para lá se alimentam, dormem, cortam o cabelo e depois vão embora.

Se são impedidos de sair durante uma crise de abstinência, quebram telhado, pulam muro, arrebentam o portão.

Cerca de 30 menores usuários passam, diariamente, pelos dois centros de apoio psicossocial de álcool e drogadição (Caps). O Estatudo da Criança e do Adolescente deixa claro no artigo 14, nas palavras do secretário, que o estado deve garantir os direitos da criança e do adolescente, e proteger o menor em liberdade, se ele não estiver cumprindo medida socio-educativa por algum delito.

A lei diz que o estado tem que proteger a vida. Só que não pode botar esses meninos atrás das grades e nem deve, porque prisão não é o local ideal para o tratamento.