Restaurantes tapam bueiros com tapetes para evitar baratas

JB Online

RIO - Donos dos restaurantes da Avenida Atlântica estão escondendo a sujeira embaixo de tapetes. Cansados do vaivém de baratas e ratos entre os clientes acomodados ao ar livre, resolveram cobrir os bueiros por onde as pragas e o mau cheiro costumam brotar à noite.

Por conta própria, também fecharam a entrada das galerias pluviais com ralos de alumínio e aço inoxidável, para não dar chance de os malfeitores se espremeram entre as grades, atraídos pelo cheiro de comida. O problema, alerta a Secretaria Municipal de Obras, é a tampa acabar impedindo o escoamento da água da chuva. Por outro lado, nem a prefeitura nem o estado têm um trabalho de controle da infestação de baratas na cidade.

É responsabilidade da Comlurb somente o combate aos ratos. Por meio da assessoria de imprensa, o órgão explicou que não há quem combata as baratas nas ruas e que é proibido colocar inseticida no espaço público. De seis em seis meses, o La Manzon, em frente à Rua Santa Clara, troca as tampas de alumínio com furos minúsculos que cobrem três dos quatro bueiros ao redor do restaurante. Cada uma custa R$ 20. Dois canos de escoamento de chuva, nas laterais da fachada do estabelecimento também estão fechados por uma tela na ponta. Foi a alternativa para a falta de prevenção , culpa os órgãos públicos o gerente João Amaral.

Se a gente não faz isso, de repente sai uma ratazana desse tamanho daí mostra ele com as mãos. De madrugada, a gente vê algumas enormes. Todo o comércio do bairro reclama disso.

João se queixa que o pessoal do controle de pragas passa de vez em quando, mas não adianta porque falta de trabalho de prevenção .

A impressão é que a população de ratos é maior que a humana em Copacabana dimensiona.

Carlos Fernando, gerente do Maxim's, na esquina da Rua Fernando Mendes, bloqueou com ralos os quatro bueiros próximos às cadeiras e mesas da área externa. Mais elaborados que os do La Manzon, são em aço inoxidável, têm buracos maiores, custam R$ 100 e ficam sob as grelhas dos bueiros devidamente cobertos por tapetes com a logomarca do restaurante (R$ 80 cada um).

Foi um alívio a gente ter colocado os ralos. Era mau cheiro, bicho e rato. Antes, tinhamos só os tapetes. Com os ralos, eles não conseguem sair garante.

Vizinho convencido

O faxineiro se encarrega de abrir o bueiro e tirar o lixo acumulado do ralo. Quando chove e à noite, os tapetes são retirados, para evitar acumulo de água e furto, respectivamente. Carlos conseguiu convencer o gerente do hotel Astória, vizinho ao Maxim's, a fazer o mesmo.

No restaurante Deck, em frente à Santa Clara, um enorme tapete redondo cobre permanentemente um dos bueiros. Só em dia de temporal o segurança o enrola e guarda para a água escoar.

Francisco Martim, gerente do Rondinella, ao lado, também cobre as grelhas com tapetes. Um dos motivos é evitar armadilhas para os saltos das mulheres.

Sempre tinha uma outra que ficava presa ou caía conta.

O gerente admite que é comum a equina alagar quando chove forte, mas garante que os tapetes não atrapalham em nada.

- Mesmo sem eles, alaga reclama.

Graça Pereira, do Arab, na altura da República do Peru, também estende tapetes de borracha e outro com o nome do lugar na entrada, à noite.

Além de ficar arrumadinho, não sai cheiro nem insetos defende.