Adequação do Rio expõe crise da Saúde

Felipe Sáles, JB Online

RIO - A instalação do Gabinete Integrado de Emergência para a gripe suína pôs em evidência a urgente situação da saúde pública no Rio diante da falta de leitos e de infraestrutura para conter uma pandemia, que nem sequer começou, sem prejudicar demais pacientes.

Segundo o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, cirurgias eletivas (de problemas sem urgência, como catarata, hérnia e vasectomia) seriam adiadas para abrir vagas nos hospitais. O problema é que, atualmente, de cada 100 pacientes desse tipo de cirurgia na Zona Oeste, apenas 20 conseguem ser operados, segundo estimativa do presidente do Conselho Distrital de Saúde da região, Adelson Alípio.

Os hospitais até têm espaço físico, mas não vai ter atendimento. Vão levar pessoas para lá para morrerem criticou Adelson. Há cerca de um ano e meio, todas as cirurgias eletivas estão suspensas na Zona Oeste. É quase impossível conseguir, só mesmo através de indicação. De cada 100 pacientes, 20 conseguem fazer na Zona Oeste, 50 fazem em outras regiões e o restante agoniza até o caso se tornar emergencial.

Doze dos 16 pacientes internados no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio (Iaserj) já foram transferidos para os hospitais Albert Schweitzer, em Realengo, Zona Oeste; Alberto Torres, em São Gonçalo, e para o Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro, no Humaitá. Outros quatro dos cerca de 60 das enfermarias também foram transferidos. Segundo Adelson, no caso do Schweitzer, não há profissionais suficientes para atendimento e a unidade não tem condições de absorver a demanda.

Redução de terceirizados

Já no âmbito municipal, a polêmica é quanto a redução de 25% no serviço terceirizado, conforme decreto publicado pelo prefeito Eduardo Paes. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) garante que os serviços não serão afetados pois a limpeza dos hospitais ainda mais urgente diante da iminente pandemia é feita pela Comlurb. A redução, segundo a SMS, faz parte do processo de reestruturação da pasta para poupar o orçamento.

A Associação das Empresas Prestadoras de Serviços (Aeps), porém, garante que a Comlurb atende a apenas três unidades municipais e estima que cerca de 15 unidades incluindo hospitais e maternidades ficarão com os serviços de limpeza debilitados. A associação estima ainda que cerca de 3 mil trabalhadores serão demitidos. O decreto passa a vigorar já a partir desta sexta.

Há cerca de quatro anos, a prefeitura firmou contrato para a limpeza de várias unidades. A Comlurb atua apenas em três hospitais, e esse decreto vem de encontro à orientação do Ministério da Saúde e da OMS para que os municípios redobrem o cuidado com o lixo hospitalar, por conta da gripe suína comentou o superintendente da Aeps, José de Alencar. Queríamos que o prefeito tivesse se reunido conosco para decidirmos onde ajustar o orçamento.