Furto reaviva medo em Santa Teresa

Marcelo Migliaccio, Jornal do Brasil

RIO - Foi um assalto banal se é que isso é possível. Um grupo, provavelmente de sem-teto, segundo especulação de policiais, invadiu uma casa da Rua Paula Mattos que estava vazia, em Santa Teresa. Levaram duas televisões de 20 polegadas e uma armação de alumínio do box do banheiro. Fizeram um lanche na cozinha e, novamente de acordo com conjectura de policiais, foram até a boca de crack mais próxima trocar a muamba por algumas pedras.

Mas a ocorrência, registrada na 7ª Delegacia Policial segunda-feira de manhã, serviu para reacender o fantasma da insegurança num bairro cercado por nada menos do que 12 favelas e repleto de entradas e saídas. A lembrança da onda de assaltos ocorrida em março (leia texto abaixo) fez moradores tremerem nas bases, afinal, cachorro mordido de cobra tem medo até de linguiça, como se dizia no tempo em que o bairro era um bucólico recanto de construções históricas que atraía estrangeiros e artistas.

Depois dos assaltos de março, o policiamento realmente foi reforçado reconhece a vice-presidente da Associação de Moradores, Juçara Braga Mas precisamos de um plano estratégico, com PMs circulando em dupla e a pé pelas ruas. Se eles permanecem parados com o carro num ponto fixo, fica fácil para o bandido.

Após pedir para não ser identificado, o marido de uma moradora, mantida refém com as duas filhas menores durante um assalto à sua residência em março, disse que reforçou o aparato de segurança do imóvel depois do crime:

Temos períodos muito complicados no bairro e outros melhores, quando a poeira baixa.

Ladrão homem-aranha

Desde que se mudou para Rua Joaquim Murtinho, em dezembro, a professora Joecy de Andrade já ouviu diversos relatos de assaltos.

No meu prédio, o ladrão escalou a parede para entrar num apartamento. Eu também soube pelos condutores dos bondes que, volta e meia, roubam máquinas fotográficas de turistas conta. Tenho medo e não ando com celular nem relógio na rua.

A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que, desde março, reforçou o policiamento no bairro com cinco veículos, quatro cabines, um Posto de Policiamento Comunitário, além dos policiais a pé. Ninguém na 7ª Delegacia Policial quis falar com a reportagem.

O reforço no efetivo da PM veio após uma assembléia que reuniu cerca de 300 moradores, todos assustados com a falta de segurança.

Uma agravante já que traficantes de drogas costumam coibir assaltos nas proximidades de seus domínios para não atrair a polícia é que os comandos do tráfico nas 12 favelas estão divididos entre várias quadrilhas. Assim, uma assaltaria na área da outra sem pudor.