Profissionais demitidos do Hospital do Andaraí fazem protesto

Jornal do Brasil

RIO - Cerca de 200 funcionários contratados do Hospital do Andaraí, no bairro de mesmo nome da Zona Norte, estão sendo demitidos desde segunda-feira. Mais de 100, entre médicos, enfermeiros e auxiliares, se concentraram nesta terça-feira de manhã em frente ao hospital para protestar. Dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores em Previdência Social, Trabalho e Saúde do Estado do Rio de Janeiro (Sindsprev-RJ) foram a Brasília para tratar do assunto, já que a unidade é federal. Foram afetados também os hospitais de Ipanema, da Lagoa, de Jacarepaguá, Geral de Bonsucesso e dos Servidores do Estado. De acordo com o sindicato, ao todo 400 pessoas perderam o emprego.

De acordo com informações da assessoria do hospital, as demissões são decorrentes da decisão do juiz José Carlos Zebulin, da 27ª Vara Federal no Rio, que determinou a suspensão do contrato temporário dos funcionários com mais de dois anos de trabalho. O Ministério da Saúde, por intermédio da Advocacia Geral da União (AGU), recorreu da sentença e os funcionários poderão trabalhar normalmente, amparados pelo efeito suspensivo pedido pela AGU.

Apesar de a assessoria do hospital garantir que os pacientes não foram afetados, o sindicato afirmou que várias atividades foram paralisadas de manhã e alguns pacientes precisaram ser transferidos para outros hospitais. O sindicato afirmou também que, após uma conversa dos profissionais com o Ministério da Saúde, os atendimentos voltaram ao normal à tarde. Os profissionais contratados temporariamente vão discutir a questão em assembleia nesta quarta-feira, na sede do sindicato, na Rua Joaquim Silva, no Centro.

Segundo o Ministério da Saúde, os profissionais foram avisados após a determinação da Justiça Federal, que acolheu uma ação civil pública movida pelo Ministério Público. Os profissionais teriam sido emprestados para a emergência das unidades desde 2005, mas deveriam deixar os cargos em seis meses, dando lugar a concursados.

Exatamente em 2005, os médicos do Hospital do Andaraí decidiram fechar por tempo indeterminado o setor de emergência, limitando o atendimento aos casos mais graves. O hospital estava superlotado, faltavam medicamentos e o número de especialistas era insuficiente para atender à demanda, segundo o relato de médicos e representantes do Conselho Regional de Medicina (Cremerj) e do Sindicato dos Médicos. Por falta de especialistas, os pacientes permaneciam mais tempo internados, retardando a liberação de leitos. Alguns passaram a ser atendidos de forma improvisada em corredores. Até cadeiras se transformaram em leitos para quase 20 pessoas.