No Bairro Peixoto, tranquilidade dá lugar à tensão

Carlos Braga, Jornal do Brasil

RIO - A Praça Edmundo Bittencourt, no Bairro Peixoto, em Copacabana, amanheceu mais tranquila do que de costume. A serenidade, porém, era apenas aparente. Assustadas com os tiroteios dos últimos dias, as mães que costumam frequentar o lugar com seus filhos pequenos não apareceram e deixaram a praça vazia.

A esta hora a pracinha estaria bem mais cheia. Muitas mães trazem seus filhos para brincar aqui de manhã. Uma amiga disse que estamos em estado de sítio disse a publicitária Cláudia Guimarães, que mora na Rua Santa Clara, próximo dali.

A aposentada Regina Castedo se lembra do dia em que os policiais invadiram a pracinha, no fim da tarde de segunda-feira, ordenando aos gritos que os moradores voltassem para as suas casas. Ela conta que entrou correndo no seu apartamento, fechou as janelas e foi se abrigar na cozinha.

Acho que é o lugar mais protegido que tem lá em casa. Até uma moradora de rua foi se abrigar dentro de um prédio contou Regina, dizendo que o porteiro do seu edifício, assustado, avisou que vai voltar para a Paraíba.

Da portaria de um dos prédios que ficam em frente à praça, Alessandra Barbagallo acompanhou a movimentação da polícia. Foi sua mãe quem lhe avisou ser de tiro o barulho que estavam ouvindo e não de fogos de artifício. Logo depois, viu quatro carros da polícia passando pela frente da pracinha.

Minha preocupação foi a de ligar para as pessoas que conheço e que moram aqui. Liguei para meu pai para saber se ele estava no meio da rua. Mandei ele ficar em casa e se afastar da janela conta.