Câmara Municipal sedia evento sobre água com sugestões alternativas

JB Online

RIO - Abastecimento e qualidade da água, captação e coleta do esgoto, limpeza urbana e sustentabilidade ambiental foram os temas abordados na audiência pública, presidida pela vereadora Aspásia Camargo (PV), em comemoração ao Dia Mundial da Água, celebrado no último domingo, 22. Especialistas, militantes e representantes do poder público apresentaram a real situação da água no estado e as alternativas para torná-la um bem mais duradouro e de qualidade.

Segundo levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU), apenas 0,008 do total da água do planeta é potável. E grande parte dos rios, lagoas e represas vem sendo contaminada e poluída. A expectativa nada animadora é de que, em 20 anos, 60% da população mundial fiquem sem água.

- Existe grande resistência da classe política em tomar alguma atitude na área da gestão ambiental. Agora é a hora de convencer os políticos e mostrar a eles que a sociedade, os militantes e os especialistas estão agindo e querem melhoras resumiu a vereadora.

O presidente da Cedae, Wagner Victer, informou que, atualmente, 60% do esgoto da cidade é tratado, número referente às áreas de atuação da companhia. Victer acredita que, com a implementação do Programa de Aceleração do Crescimento, esse número vai ser ampliado.

- É absolutamente factível tratar 100% do esgoto de responsabilidade da Cedae, em até 8 anos. Hoje a Estação de Tratamento de Alegria é superior a 17 capitais brasileiras afirmou.

Victer acrescentou que não adianta tratar o esgoto se as instalações internas são adequadas. Como exemplo, ele citou que em 18 estabelecimentos comerciais visitados na Rua do Lavradio, na Lapa, nove não tinham caixa de gordura e em seis o sistema era ultrapassado.

- Temos uma lei da vereadora Aspásia Camargo que obriga a limpeza das caixas de gordura e ela não é cumprida. Como um elevador, que precisa de manutenção, as caixas de gordura precisam ser limpas por pessoas capacitadas para não poluir as águas pluviais ressaltou o presidente da Cedae.

O presidente do Instituto Estadual do Ambiente, Luiz Firmino, ressaltou a atuação do poder público, mas afirmou que os objetivos não serão alcançados sem o apoio e a conscientização da população:

- A gestão ambiental vai além da gestão do governo. Hoje a gente pode afirmar que, só com a legislação, nós não evoluímos. Há que ser formado um comitê gestor formado pela sociedade, por empresários e por entes públicos.

Dados apresentados pelo oceanógrafo David Zee comprovam a necessidade desta integração. Zee disse que 70% da água é consumida nas atividades da agricultura, 20% pela indústria e 10% pelo consumo humano.

- Cada um deve se perguntar de forma pode agir pêra reduzir o desperdício. O Brasil é um país privilegiado porque tem 12% de toda a água do planeta. Mas não é porque tem muito que a gente não precisa cuidar. A realidade é que 5 mil crianças morrem pó dia no mundo por falta de água, de acordo com a ONU alertou o especialista.

Do total da água que abastece as cidades do Rio e da Baixada Fluminense, 90% vem do Rio Guandu. Hoje, segundo o diretor geral do Comitê Guandu, professor Décio Braga, a situação é confortável porque as chuvas têm abastecido o reservatório:

- Isso não é garantia de estabilidade devido ao aquecimento global e ao desequilíbrio climático. Temos de começar agora um uso sustentável da água para que possamos colher os frutos daqui a 15 anos.

Uma das alternativas para o reaproveitamento da água foi levantada pelo presidente do Conselho Regional de Química, Jorge Reis Flemig:

- A água da máquina de lavar pode ser reaproveitada nas descargas e na lavagem de pisos.

De acordo com o engenheiro civil sanitarista e assessor de meio ambiente do Crea, Adacto Ottoni, o que falta para fazer um plano de ação mais concreto é o real diagnóstico ambiental do estado:

- Depois do levantamento, podem ser definidas as prioridades para depois serem pensadas as intervenções necessárias. Há que se repensar, reduzir, reciclar e reutilizar.