Beltrame culpa usuários de drogas pelas guerras do tráfico

JB Online

RIO - Em entrevista à rádio CBN, nesta terça-feira, o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, avaliou como "muito bom" o trabalho da PM no combate à guerra entre tráficantes na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana. O secretário disse que a corporação respondeu rápido às investidas dos bandidos na região, com prisões e apreesão de armas, e que não vai permitir que a favela seja tomada pelo crime.

- Não podemos pactuar com isso. A polícia procura, inclusive, se antecipar. Soube, cercou o local e ontem fez seu trabalho. Mostrou para a sociedade o resultado disso. Entendo a angústia, mas não pode permitir que autoridades do estado sejam desafiadas. Grupos sempre atuaram assim e não vamos permitir essa cultura - declarou.

Sobre agir de forma preventiva, Beltrame respondeu que, mesmo com o trabalho constante, o serviço de inteligência da polícia nem sempre tem informações concretas sobre os bandidos.

- Nem sempre sabemos se vêm sozinhos, em grupo. Muitas vezes vêm com armas desmontadas. Se a informação é concreta, podemos atuar como já fizemos em outras situações, como a Babilônia - citou.

Beltrame considerou agravante o fato de a favela de Copacabana ter muitos acessos e criticou a favelização.

- A Ladeira já está para o lado de Botafogo. O desordenamento proporciona isso. Não vamos permitir que isso aconteça. Em função do trauma, o ideal seria botar a cabeça sob a mesa, fazer a política do avestruz. Mas é o Tabajara, amanhã será outro local. Nosso paradigma é justamente esse. Nossas ações estão reduzindo o índice de criminalidade em algumas áreas. Se maioria dos cidadãos paga seu imposto, é ordeira, por que grupo de 15, 20 pessoas vai aterrorizar 50 mil pessoas? - questionou.

O secretário atribuiu ao poder aquisitivo da população o fato de as favelas da Zona Sul serem muito visadas.

- Pessoas estão ali atrás do dinheiro. Os pontos de venda de drogas são muito rentáveis, o consumidor compra e paga à vista - comentou.

A falta de profissionais de segurança formados foi a justificativa para não montar uma ação permanente no Tabajaras, como no Dona Marta, em Botafogo. Contar com a ajuda das Forças Armadas não é uma medida descartada pelo secretário.

- Ontem houve demanda emergencial. O Rio tem muitas favelas, o crime vai migrar, não tenha dúvida. Mas tem que fazer o processo e uma política permanente. Se fizesse isso há mais tempo, teria condições de avançar melhor. Tem que ficar claro que essa não vai ser a solução, terminar com violência no Rio. O Rio tem deficiência de efetivo, não pode tirar efetivo das ruas de Copacabana. Tem que criar uma ambiência de segurança. Foram 30, 40 anos que isso isso não existiu. Agora cabe a nós transformar isso em política de estado - analisa.