Após guerra de traficantes, imóveis de Copacabana desvalorizam até 40%

João Paulo Aquino, Jornal do Brasil

RIO - Os recentes conflitos entre policiais e traficantes em Copacabana vão gerar efeitos imediatos na venda de apartamentos. Corretores de imóveis preveem queda de até 40% na procura por residências no bairro e o preços deverão sofrer reduções entre 10% e 15%.

O mercado vai sofrer um resfriamento, acredito que vá acontecer o mesmo ocorrido no Leme adverte o corretor de imóveis André Miranda, atuante na Zona Sul. Após tiroteio entre policiais e bandidos no Morro Chapéu Mangueira, a procura por imóveis no bairro diminui entre 30% e 40%.

Para o corretor Roberto Guedes, o mercado imobiliário de Copacabana vai precisar de um tempo para se recuperar:

Depois de uns três meses, as pessoas esquecem o que aconteceu, mas os preços nunca voltam aos valores de antes. Vai haver uma queda de 10% a 15% calcula.

Os efeitos são tão imediatos que os prejuízos já são sentidos. André Miranda teve cancelada a visita de uma cliente de Niterói, que pretendia visitar um apartamento na Rua Figueiredo Magalhães e desistiu por medo do cenário de fogo cruzado dos últimos dias.

O diretor secretário do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-RJ), José Fernando Werneck Schuster, revela que o problema é antigo:

Há apartamentos na Barata Ribeiro de onde os proprietários retiraram as janelas e fecharam com alvenaria para diminuir o risco de serem atingidos. Apartamentos avaliados inicialmente em R$ 500 mil não são vendidos por R$ 200 mil.

Uma moradora da Rua Santa Clara, de 41 anos, que não quer se identificar, lamenta a desvalorização de seu apartamento de três quartos, com quadra de tênis, sauna, piscina e salão de beleza. O imóvel foi comprado em 1982.

A desvalorização já vem de algum tempo. Hoje, o apartamento não vale metade do valor que paguei. Deve estar custando entre R$ 350 mil e R$ 400 mil. A comunidade aqui dos fundos era pequena na época da compra, havia apenas uma mureta. Hoje o muro é altíssimo e não para de crescer afirma a moradora, que ainda espera por tempos mais pacíficos.

O representante do Creci-RJ chama a atenção ainda para a desvalorização dos apartamentos nos andares mais altos, que já têm preços equipararados aos dos mais próximos ao solo. Schuster explica que a vista dos andares superiores é voltada para as favelas e, por isso, os riscos de alcance de balas perdidas tornam-se maiores.

Outro morador, que também não quer se identificar, residente à Rua Tonelero, afirma que o medo da violência o obriga a deixar Copacabana, bairro onde mora há 10 anos.

Não estou me mudando por causa da violência, porque ela já se tornou corriqueira. O que me impressionou desta vez foi o despreparo da polícia em executar uma operação em plena hora do rush, cheia de gente na rua reclama o morador, que procura atualmente locais distantes de favelas e eliminou endereços como o bairro de Santa Teresa.