Rio tem pelo menos 80 mil vigilantes clandestinos

Felipe Sáles, JB Online

RIO - Entre os bicos oficialescos de policiais civis e militares, o mais comum é o de segurança privada cuja responsabilidade de fiscalizar é da Polícia Federal, que por sua vez estima em 80 mil o número vigilantes clandestinos no estado. Presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado que também acumula a função de presidente do Sindicato de Vigilantes do Município Fernando Bandeira estima que o número da clandestinidade chegue a 130 mil, e que cerca de 1 mil dos 10 mil policiais civis atuem na segurança privada segundo ele, berço da concepção das milícias.

O desdobramento natural da informalidade da segurança privada é a milícia comentou. É uma atividade de segurança privada, que ganhou braços políticos e se envolveu com outras ilegalidades. Por isso o combate deve ser necessário, embora o bico seja um mal necessário. Só um salário digno será capaz de acabar com os bicos.

Por salário digno entende-se a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 300/2008, do deputado federal Arnaldo Faria de Sá, que já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e atualmente tramita na Câmara. A PEC 300 busca um piso salarial único para todos os policiais do país, que no caso seria igualado aos do Distrito Federal, que gira em torno de R$ 4.500. No Rio os policiais em início de carreira detentores do pior contracheque do país, de cerca de R$ 900 ganham quase pouco mais que um vigilante, cujo salário (sem gratificações e h oras extras) está na faixa de R$ 750.

Os policiais federais são um exemplo. Em início de carreira, ganham o equivalente aos policiais do Distrito Federal e os bicos são raro comentou, sem lembrar, porém, da intensificação dos trabalhos das corregedorias e da carga horária diferente. Defendemos que os policiais que façam esse trabalho se formem também como vigilantes e assinem carteira.

O próprio Bandeira é um exemplo disso. Além de presidente dos dois sindicatos, há quase 30 anos ele acumula a função de comissário de polícia hoje lotado na 105ª DP (Petrópolis) com a de instrutor de vigilantes.

Eu sou o próprio bico oficial e nunca escondi isso. O importante é não ser clandestino. Há profissionais que optam por lecionar, abrir um negócio, mas grande parte atua mesmo na segurança privada.