Quantidade de acidentes nas calçadas já começa a preocupar médicos

Carlos Braga, Jornal do Brasil

RIO - Não impede o direito de ir e vir do cidadão, mas atrapalha bastante. A situação preocupante das calçadas da cidade está se tornando um caso de saúde pública, dada a quantidade de acidentes que causa. Não existe uma estatística sobre o número de entradas em emergências e consultórios resultante de queda na rua. O vice-diretor do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), João Matheus Guimarães, calcula que, do total do número de acidentes que chegam aos ortopedistas, 15% acontecem devido a quedas na rua.

Há dois grupos: os mais jovens, que sofrem entorses no tornozelo ou ruptura de ligamentos; e os idosos, que tem lesões mais graves, até por conta da idade avançada. Em geral eles, que já têm problemas de equilíbrio, tem fraturas no punho e no quadril, que são agravadas, muitas vezes, por quadros de osteoporose explica.

Guimarães explica que os idosos estão mais sujeitos às falhas de conservação que se encontram nas calçadas, como buracos, pedras soltas e desníveis. O tratamento de uma fratura de quadril, dano que não é raro de acontecer a idosos que caem na rua, custa em média R$ 15 mil, valor que inclui operação, implantes, internação, fisioterapia e medicação.

Normalmente essas fraturas têm de ser operadas e o paciente fica dois ou três meses imobilizado explica Guimarães.

Cidade idosa

O diretor da Universidade Aberta da Terceira Idade (UFRJ), o médico Renato Veras, calcula que morem no município do Rio cerca de 800 mil idosos. Proporcionalmente, a maior população de idosos do país. Veras sugere que em alguns bairros, onde haja maior concentração dessa faixa etária, existam equipamentos públicos destinados a melhorar a qualidade de vida. Como, por exemplo, em Copacabana, que tem 33% dos moradores nessa faixa de idade.

O Rio deveria ter alguns locais mais bem-preparados para receber esse grupo etário. É inadmissível que uma cidade com o número de gente idosa que nós temos não tome esse tipo de precaução. Principalmente onde há a prevalência de pessoas com mais idade, como Flamengo, Copacabana, Botafogo e Tijuca. O Rio não é uma cidade habitada só por gente jovem.

A fragilidade que acomete os ossos, causada pela osteoporose, é o maior vilão nos tombos dos idosos nas calçadas. Doença que ocorre com mais frequência nas mulheres.

O grande problema é a fragilidade dos ossos. A prevalência da osteoporose nas mulheres é mais alta, e uma fissura ou uma fratura pode levar a um problema mais grave. A queda é sempre indicador de algum tipo de fragilidade. E isso faz com que o idoso fique mais temeroso e passe mais tempo em casa, abdicando de ver os amigos, da vida social. O Rio tem um grande contingente de idosos, e a cidade precisa se preparar para conviver com isso analisa.

A substituição das pedras portuguesas por granito é a sugestão do engenheiro civil Antônio Eulálio Pedrosa Araújo, especialista em pontes e grandes estruturas. Ele defende que o calçamento de pedras só seja mantido nos calçadões das praias e que nos passeios usados mais pesadamente pelos pedestres seja usado o granito liso e bruto, sem o tratamento de verniz. O material, prossegue o engenheiro, tem a possibilidade de ser usado em desenhos, como a pedra portuguesa. Segundo Araújo, o granito, apesar de mais caro, é muito mais durável, com risco de acidente para os pedestres praticamente nulo e custo de manutenção menor.

A pedra portuguesa é arcaica e não garante qualidade. Granito é caro, mas é definitivo defende.