Associações de moradores divergem quanto à faixa reversível

João Paulo Aquino, Jornal do Brasil

RIO - Apesar de a faixa receber o nome de reversível, a prefeitura promete não voltar atrás. O esquema de mudança na mão de uma das pistas na Rua Humaitá, entre as 17h e as 20h nos dias úteis, divide opiniões das associações de moradores e conta até com uma ação contrária no Ministério Público do Estado.

O presidente da Associação de Moradores do Humaitá, Paulo Giffoni, que busca na Justiça acabar com a faixa reversível, aponta desrespeito à lei.

A medida da Secretaria de Transportes vai contra três artigos da Lei Orgânica do Município. Burla o 402, o qual diz que as políticas de transporte devem dar prioridade ao pedestre, depois ao ciclista e por último aos veículos. O outro é o 403, na qual está escrito que toda mudança viária deve ouvir os órgãos representativos, mas não ouviram a Associação de Moradores do Humaitá. E por fim desrespeitou o 405, que manda observar as características do local, o que não aconteceu.

Para Gifonni, pequenas mudanças como sincronização dos sinais e ampliação de acessos já seriam suficientes para aliviar o trânsito.

Como dizer que a faixa reversível é uma solução? Sai de uma avenida e volta para a mesma avenida logo depois de um pequeno trecho questiona Gifonni, que marcou a passagem de apenas 10 carros em 20 minutos.

A associação de moradores aponta ainda a perda de 54 vagas na rua, entre elas três de deficientes físicos e uma de carga e descarga, além de uma faixa de pedestre. A que restou, aponta a associação, não apresenta rampa de acessibilidade para cadeirantes.

O ex-vice-presidente da Associação de Moradores do Jardim Botânico Armando Abreu é contra a faixa reversível.

Poucas pessoas usam, não tem necessidade, deveriam regular os ônibus, muitos circulam vazios analisa.

Em Botafogo, os moradores estão divididos.

Pergunto para taxistas, moradores e nem todos aceitam ou rejeitam avalia a presidente da Associação dos Moradores de Botafogo, Regina Chiaradia. No começo, havia mais pessoas contra, mas agora a aceitação melhorou.