Velocidade média aumenta com faixa reversível do Humaitá, diz CET-Rio

João Paulo Aquino, Jornal do Brasil

RIO - A queda-de-braço entre os que são contra a faixa reversível no Humaitá e a secretaria de Transportes ganhou nesta segunda números que, se não deram a vitória definitiva ao secretário Alexandre Sansão, ao menos mostraram que tinha razão ao insistir na medida implantada no dia 3. Estudo da CET-Rio, obtido com exclusividade pelo Jornal do Brasil, mostra que a velocidade média dos automóveis subiu de 15km/h na hora do rush para 25km/h. A faixa funciona em dias úteis das 17h às 20h.

Comparamos a velocidade de carros circulantes entre as ruas São Clemente e Humaitá antes da faixa ser implantada e na primeira semana de vigor explica Sansão. O resultado foi positivo e constatamos o aumento de 15 km/h para 25 km/h, isso é quase que duplicar a fluidez do trânsito.

O secretário explica que foi usado um carro sonda para fazer os levantamentos. Dois veículos da CET-Rio equipados com GPS e computador de bordo percorreram o trajeto várias vezes nos horários de maior movimentação. Depois de colhidos, os dados foram comparados. O secretário acompanhou o primeiro dia de implantação da faixa reversível e no segundo sobrevoou as região para constatar os reflexos da alteração nas diferentes partes da cidade. De acordo com as observações da secretaria, não houve impacto negativo no trânsito.

São seis mil carros beneficiados diretamente, mas esse número pode aumentar e ultrapassar os 10 mil, o que inclui ônibus e outros coletivos planeja Sansão.

O secretário chama atenção para o equilíbrio maior no fluxo dos dois sentidos, Botafogo e em direção à Lagoa. Aponta ainda o maior uso de ruas como Mena Barreto e Visconde de Silva como alternativas.

Vamos investir na informação. Avisar o motorista onde está livre o tráfego, onde tem congestionamento. Assim ele pode desviar, encontrar uma rota alternativa e evitar o caos diz o secretário, que planeja usar painéis fixos e móveis.

A secretaria reconhece que as faixas reversíveis não são soluções definitivas, mas as considera trabalhos de efeitos a curto prazo.

Para o engenheiro de transportes Fernando McDowell, as faixas reversíveis apresentam grande riscos de acidentes.

Há sempre uma expectativa de ampliação de velocidade, porque se aumenta a área de escoamento. Mas alguns cuidados devem ser tomados como implantação de cones fixos, proibição de tráfego de motocicletas e ônibus e uma sinalização adequada explica McDowell, para o qual o nível de segurança jamais será como o de uma pista normal.

O especialista adverte para a presença de turistas no trânsito, brasileiros oriundos de outras cidades e até estrangeiros que alugam carros para visitar os principais cartões postais da cidade. Assim, julga todo cuidado como pouco para evitar acidentes. Por isso condena o uso exagerado de faixas reversíveis. McDowell julga o Rio atrasado em medidas de melhoramento do trânsito. Para ele, a capital está perdendo a hegemônica posição de apresentar soluções criativas e eficientes para o tráfego urbano, São Paulo teria roubado esse título dos cariocas.

Não adianta ficar tomando medidas de quebra-galho. Precisamos investir, discute-se muito, mas os projetos não saem do papel. A crise está aqui, agora, mas há 10 anos nada é feito. A frota é crescente e uma hora essas medidas simplistas não vão dar vazão afirma McDowell, defensor de parcerias público-privadas.

Na Francisco Bicalho

Sansão esteve ontem das 8h às 11h na Avenida Francisco Bicalho, na Zona Central. Fiscalizou as paradas de ônibus e observou o tráfego para desenvolver soluções. Na via, passam cerca de 150 mil veículos por dia e algumas paradas funcionam como um terminal de ônibus a céu aberto.

Uma possível opção é a redução dos canteiros divisórios das pistas para ampliação das baias de ônibus. Um dos problemas é a grande quantidade de vans e Kombis irregulares que tumultuam o trânsito.