Vítima de erro médico custeia enterro de paciente operada erradamente

JB Online

RIO - Em clima de revolta num enterro pago por outra vítima de erro de médico, a dona de casa Verônica Cristina do Rêgo Barros, 31 anos, foi sepultada às 11h15 deste domingo no cemitério de Irajá, zona norte do Rio de Janeiro. Três sindicâncias foram abertas para apurar o caso. A família cobra do estado o custeio dos estudos dos filhos das vítimas.

Parentes e amigos de Verônica rezaram o 'Pai Nosso' e deram uma salva de palmas ao fim do sepultamento.

Durante o enterro, os familiares de Verônica seguraram faixas em protesto e voltaram a afirmar que pretendem processar o Estado. O sepultamento foi custeado por um empresário que passou por um problema semelhante do de Verônica. O empresário, no entanto, pediu para não ter seu nome divulgado.

Cinco paradas cardíacas

Verônica morreu na madrugada de sábado após ter sido operada no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, onde ela chegou no domingo depois de sofrer uma queda no banheiro e cair de cabeça no lado sanitário. A paciente foi operada às pressas devido a um coágulo que se formou no lado esquerdo do cérebro, mas a equipe médica acabou fazendo uma intervenção no lado direito da cabeça de Verônica. Durante a cirurgia, ela sofreu cinco paradas cardíacas, entrou em coma e foi deixada no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) até quinta-feira, quando foi novamente operada, dessa vez, no lado esquerdo do cérebro, onde estava o coágulo. No sábado, Verônica não resistiu e morreu.

Dois cirurgiões e a chefia de neurocirurgia do hospital foram afastados, entre eles Pedro Ricardo Mendes, citado pela família na queixa crime registrada na 22ª DP (Penha). Inicialmente, os acusados foram indiciados por lesão corporal sem intenção de matar, mas após a repercussão do caso os médicos devem ser acusados de homicídio culposo e negligência. Três sindicâncias foram abertas pela secretaria Estadual de Saúde, pela administração do Getúlio Vargas e pelo Conselho Regional de Medicina, que poderá até cassar o diploma dos envolvidos.

Denúncia anônima informou aos parentes

A irmã de Verônica, Alba Valéria do Rego Barros, contou que a família só tomou conhecimento do fato na quinta-feira, quatro dias após o erro e quando a paciente se preparava para a segunda cirurgia, dessa vez do lado correto do cérebro. Alba recebeu uma ligação anônima, de número não identificado, de uma pessoa se dizendo da equipe responsável pela cirurgia que ficou muito abatida com o erro médico. A maior preocupação de Alba agora agora é com os sobrinhos que perderam a mãe.

- Minha atenção agora é para os meus sobrinhos que perderam a mãe deles. Quero que o Estado pague pelos estudos deles. Como pode um médico cometer um erro desses, e ainda abandonar a paciente no CTI como se nada tivesse acontecido? - revoltou-se. - Nós só soubemos o que de fato tinha acontecido na quinta-feira, quando recebi uma ligação anônima, de uma pessoa que seria da equipe do neurocirugião, dizendo que um erro grave havia acontecido, que todos estavam abalados e que era para irmos ao hospital buscar uma cópia do boletim de atendimento.

Esta havia sido a primeira vez ela que buscou socorro no Hospital Estadual Getúlio Vargas, já que passou anos morando em Minas Gerais e fixou residência em Irajá há apenas oito meses, depois que passou a morar com o novo namorado. Verônica tinha dois filhos, Renan, de 11 anos, e Riane, de 9. Ela será enterrada domingo às 11h no Cemitério de Irajá.

Com informações do Terra