Na análise de especialistas, faixa reversível tem prazo de validade

Carlos Braga, Jornal do Brasil

RIO - A deduzir da análise dos especialistas, a faixa reversível é como uma ponte de safena: uma solução que deve ser acompanhada de outras medidas, para que o "conserto" não apresente os problemas antigos. O professor da faculdade de arquitetura e urbanismo da UFRJ, Ricardo Esteves, acredita que o recurso da faixa reversível, que tem como objetivo facilitar a circulação de carros, acaba por colocar mais veículos particulares nas ruas. Logo, prossegue o professor, a própria faixa reversível tende a ficar congestionada algum tempo depois de criada.

Este recurso foi criado para aliviar o congestionamento da Rua São Clemente. Mas este tipo de solução, assim como a da Avenida Atlântica, vai trazer alívio em um primeiro momento analisa Esteves. Mas vai acabar atraindo mais carros. Trata-se de um paliativo. Posso dizer, observando a experiência de outras faixas reversíveis, que sua eficiência dura, em média, um ano.

Para o professor de engenharia civil da UFF, com doutorado em engenharia de transportes, Walber Paschoal, a própria criação de uma faixa reversível é sinal da saturação da via. O que indicaria a necessidade de se criar uma nova faixa. Para o professor este recurso é válido se não houver a possibilidade de aumentar a capacidade da via.

Quanto aos mecanismos de segurança que devem acompanhar a instalação de uma faixa reversível, Paschoal diz que informação é a chave para evitar acidentes como os que ocorreram no Elevado do Joá e na Rua Humaitá.

Deve-se instalar pórticos luminosos para avisar que há reversão de faixa naquele horário e em determinado trecho sugere Paschoal. Pode-se também usar aqueles veículos com letreiros luminosos da CET. Não apenas nos locais, mas nas redondezas. As informações devem ser divulgadas nos meios de comunicação, como nas rádios. Normalmente, a causa deste tipo de acidente é a falta de informação aliada à distração.

Equilíbrio no fluxo

O recurso funciona enquanto houver equilíbrio no fluxo do trânsito nas faixas de mãos opostas, explica o doutor em engenharia de transportes pela Coppe UFRJ, Fernando McDowell. Ele diz que é necessário uma equipe bem treinada para trabalhar durante o horário de funcionamento da faixa reversível. Com isso, argumento o engenheiro Fernando McDowell, qualquer um poderá escolher se quer usar a faixa ou não, inclusive turistas que desconhecem os caminhos da cidade.

Na Avenida Atlântica, em que se usa pista reversível, a gente anda durante quadras e não vê um guarda para nos orientar critica o professsor. Também não há informação correta como deveria ter. É uma solução paliativa, em função de investimentos que não são realizados.