Aicente no Joá reabre polêmica sobre mudanças nas pistas

Carlos Braga, Jornal do Brasil

RIO - Uma pessoa morta, três feridas e um engarrafamento que paralisou a Barra, cujo reflexo foi sentido na Zona Sul. Foi o saldo de um acidente na manhã desta segunda-feira na pista reversível do Elevado do Joá, que, segundo relatos de motoristas que usam a via diariamente, poderia ter sido evitado com uma sinalização mais eficaz. Não era dia de andar na contramão. No fim da tarde, na estreia da pista reversível da Rua Humaitá, um homem foi atropelado por um táxi, mas, por sorte, teve apenas ferimentos leves.

Isso aqui está um caos desabafou o motorista Jorge Magno, que aprova as faixas reversíveis para amenizar os congestionamentos, mas faz ressalvas. A faixa só funciona se tiver mais informação e policiamento. Multa eles sabem dar, mas condições melhores de tráfego, não.

O secretário municipal de Transporte, Alexandre Sansão, admitiu que um aparelho de sinalização eletrônica, que promete instalar em breve, pode melhorar o trânsito, mas garante que a sinalização existente hoje é suficiente.

Não há defeito na sinalização, ela está presente, com cones e agentes de trânsito. Não há razão para a manobra que ele (o motorista de São Paulo que bateu em três motocicletas pela manhã no Elevado do Joá) fez avaliou.

Carro na contramão

A colisão ocorreu quando o motorista do Vectra preto, placa EBW 6873, mudou de faixa na pista superior do Elevado, que funciona como faixa reversível das 6h30 às 8h30, e invadiu a contramão. Com a identificação protegida pela pollícia, disse na delegacia que se assustou com a primeira moto, tentou desviar e acabou batendo em mais duas. O impacto lançou o motociclista Edson Senna dos Santos, de 36 anos, nas pedras que margeiam os pilares do elevado e o matou na hora. Os outros dois, com ferimentos graves, foram levados para o Miguel Couto, mas não correm risco de morte. A namorada do motorista do Vectra informou que ele é paulista, não sabia da faixa reversível nem teria notado a sinalização que avisava da mudança. O acidente parou o trânsito na região por quase quatro horas.

Com o acidente, a pista reversível, sentido Zona Sul, ficou interditada até quase o meio-dia. Alceu Abreu, retido no trânsito, engrossou o coro dos que criticam a falta de sinalização eficiente.

Concordo com as faixas reversíveis, mas acho que falta mais sinalização. O rapaz de São Paulo, que bateu com carro, não sabia que existia essa faixa aqui ponderou.

Foram necessários oito homens do Corpo de Bombeiros para resgatar o corpo de Edson, que só pôde ser levado para o Instituto Médico-Legal depois do meio-dia, devido à espera pela perícia. Ele sofreu traumatismo craniano e teve os dois braços quebrados. Amigos do motociclista contam que Edson trabalhava como supervisor de portaria num condomínio da Barra, morava no Rio Comprido e estava indo para o trabalho na hora do acidente. Ele deixou a mulher grávida de três meses.

Depois de esperar mais de uma hora para atravessar a Lagoa-Barra, Rodrigo França mostrava indignação. Ele trabalha numa van de transporte e reclamou que a falta de estrutura o prejudicara.

Perdi a manhã inteira e só fiz uma viagem. Sou a favor da faixa reversível, mas ela tem de ser mais bem sinalizada. Muita gente não sabe que ela existe.