Transporte nada legal para alunos

Fernanda Thurler, JB Online

RIO - Com o começo do ano letivo, além dos gastos com material escolar e matrícula nos colégios, muitos pais acrescentam ao orçamento doméstico os custos com o transporte escolar. O que para muitos é sinônimo de praticidade e segurança ter alguém que leve e busque o filho na escola, a contratação de um serviço irregular pode se tornar uma dor de cabeça. De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Escolar do estado (Sinterj), Luiz Garçoni, ainda 50% dos veículos que fazem o serviço são ilegais.

Até o ano passado, 70% do transporte escolar eram irregulares compara Garçoni. Felizmente, a cada ano, os pais têm mais precaução na hora de contratar o serviço. Está começando a haver uma uma mudança de comportamento.

Garçoni alerta para a responsabilidade das escolas na orientação dos pais quanto à legalidade do transporte escolar.

Quando as escolas não auxiliam, é mais fácil o responsável contratar um serviço pirata. A escola, quando indica uma empresa, exige uma série de documentação, confirma se os funcionários são capacitados, é mais seguro destaca Garçoni.

Certa de que sua filha de 8 anos vai com segurança para a escola, Ludmila Teixeira, 30, contratou o serviço este ano, pela segunda vez, com a mesma empresa, que é cadastrada na Secretaria Municipal de Transportes.

Fico despreocupada. Sei que o motorista é treinado para levar crianças. Os documentos estão sempre em dia e o veículo é vistoriado garante Ludmila, que paga R$ 250 por mês.

Na Rua São Clemente tradicionalmente conhecida pelos congestionamentos em horas de entrada e saída de alunos nos colégios o Jornal do Brasil flagrou, na última quinta-feira, diversas irregularidades: de filas duplas provocadas pelos próprios pais, o que, além de prejudicar o trânsito, põe em risco a vida da criança, obrigada a passar entre carros, a veículos irregulares fazendo o transporte escolar. Havia uma van sem a faixa amarela indicativa do tipo de condução e um motorista uniformizado dirigindo um Doblô.

O transporte escolar tem que ter capacidade mínima para 11 lugares, a Doblô tem apenas 7 alerta o presidente do Sinterj.

A fila de espera para pegar os alunos ao meio-dia estendia-se por um quarteirão, o que estimulou a prática de filas duplas. Não havia sequer um guarda municipal controlando o trânsito, apesar de a GM ter anunciado, na última semana, que 90 agentes estariam espalhados por Humaitá e Botafogo, na Zona Sul; Tijuca e Méie, na Zona Norte; e Jacarepaguá, na Zona Oeste, durante todo o ano letivo.

Na atual administração municipal, a fiscalização do transporte escolar está sob responsabilidade da Secretaria da Ordem Pública (SEOP). A Secretaria de Transportes apenas regulamenta. De acordo com as informações da SEOP, há uma Coordenação de Fiscalização de Transporte Urbano que está preparando um plano de fiscalização a ser implementado no fim deste mês. As operações vão seguir os modelos do Choque de Ordem e vão contar com o apoio do Departamento de Transporte Rodoviários (Detro), da Polícia Militar e Guarda Municipal.