Luiz Eduardo Soares, criador do projeto, também faz crítica

Felipe Sáles, JB Online

RIO - O coordenador do Programa Delegacia Legal, Cesar Campos, garante que começam em março as licitações das primeiras obras da retomada do projeto possível graças ao financiamento inédito conseguido junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Apesar dos méritos do programa, nem o antropólogo Luiz Eduardo Soares um dos mentores do Delegacia Legal isenta de críticas o desenvolvimento com que o programa aconteceu.

Tenho o mesmo entusiasmo de 10 anos trás. A minha crítica é que o programa não se completou afirmou. Há toda estrutura técnica e operação para conduzir investigações, mas não avançamos quanto à gestão. É como se tivéssemos um boeing sendo usado como um táxi.

Soares acredita que deveria haver mais incentivo e treinamento para que os policiais usassem as tecnologias disponíveis. Além disso, ele defende uma integração maior entre as instituições e que o banco de dados das delegacias possa ser usado também pela Polícia Militar.

Já Cesar Campos exalta como um dos principais benefícios a reaproximação entre a polícia e a comunidade. Ao todo, foram implantadas em 107 unidades e faltam 38 delegacias distritais e 13 especializadas. Além disso, o recurso será usado para a construção mais quatro postos regionais de polícia técnica (além da reforma dos oito existentes), sete casas de custódia e um novo Instituto de Criminalística Carlos Éboli.

Até 2010, todas as delegacias serão legais garantiu Campos.

Atendimento precário

Embora seja consenso que o programa tenha melhorado o aspecto das DPs, o atendimento continua precário. A demonstradora de cosméticos Priscila Oliveira, 24, por exemplo, teve o cartão de crédito clonado e aguardou ser atendida sem sucesso das 19h às 2h na 54ª DP (Belford Roxo), que é Legal. Só conseguiu fazer o registro na 52ª DP, após 20 minutos.

Em Belford Roxo é mais moderna, mas não adiantou nada desabafou. Fiquei confortavelmente esperando em vão por mais de seis horas.

Outro problema muito comum entre todas as delegacias do Estado do Rio é a crônica falta de efetivo. A 81ª DP (Itaipu), por exemplo, chegou a ter 61 policiais em 1990, e hoje conta com apenas 19 incluindo aqueles que foram cedidos, os de licença médica e os de férias. Entre os 19 há inclusive um policial militar cedido situação bastante comum. Segundo o Sindicato dos Policiais Civis, há cerca de 1.200 PMs atuando em delegacias do Estado. A instituição tem cerca de 9 mil agentes, contrariando a lei estadual 699/83 que prevê um efetivo mínimo de 23.600 policiais.