Prefeitura dá 1° passo para melhorar rede pública de ensino

Fernanda Thurler, Jornal do Brasil

RIO - O prefeito Eduardo Paes e a secretária de Educação, Cláudia Costin, deram as boas vindas a 645 novos professores, aprovados no concurso de 2008. São mestres que vão lecionar para os alunos de todo o ensino fundamental. Apesar do reforço, o discurso é de cautela porque não chega nem perto do déficit de 7 mil professores.

O reforço é muito importante, porém não será suficiente. Nós temos consciência disso. Estamos pedindo a nomeação de mais um grupo expressivo para que, pelo menos, a gente possa ter uma vida organizada na rede analisou Cláudia Costin.

A secretária anunciou ainda que pretende chamar, este ano, mais 1.045 profissionais.

Não dá pra resolver uma herança histórica em um ano. Esperamos que isso dê para ver a rede trabalhando em condições razoáveis, mas, com certeza, teremos de chamar mais gente previu Cláudia, referindo-se também aos professores cedidos para outras áreas da prefeitura, mas que já foram requisitados pelo prefeito.

Dos 645 professores, 400 vão lecionar para os alunos do 1º ciclo ao 5º ano e os demais darão aulas para os estudantes do 6º ano 9º ano nas disciplinas de matemática (40), história (100), geografia (55) e língua portuguesa (50). Segundo o prefeito, número insuficiente para suprir a demanda dos 770 mil alunos das 1.062 escolas municipais.

Não vamos fazer milagre neste primeiro ano de governo, mas vamos trabalhar para melhorar a qualidade do ensino durante os quatro anos. Prometi na campanha que queria melhorar a qualidade de vida dos cariocas, e não há como fazer isso sem investir em saúde e educação disse o prefeito, que chegou ao evento com uma hora de atraso e causou insatisfação nos professores.

Nos primeiros 45 dias, os alunos da rede vão passar por um revisão geral de português e matemática para identificar aqueles aqueles que precisam de recuperação e os que são analfabetos funcionais.

Infelizmente, as diretoras me reportaram a presença de crianças do 5º ano que não conseguem entender o que lêem. Isso é o que nós chamamos de analfabetos funcionais. Procurei o Instituto Ayrton Senna porque lá eles têm um projeto específico para esse tipo de crianças. Eles capacitam os professores da rede, supervisionam e fornecem material - explicou a secretária.

De mãe para filha: desejo de ser professora vem de geração

Tatiana Raick, 25 anos, formada em letras e francês na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutoranda em lingüística pela mesma universidade, está ansiosa para a chegada do dia 4 de fevereiro, quando conhecerá seus alunos da Escola Municipal Nossa Senhora do Loreto, na Ilha do Governador.

Estou muito animada, vou chegar com gás, vontade de trabalhar e de encarar esse desafio. Vou tentar mudar um pouco essa realidade desastrosa da educação. Hoje, temos crianças que realmente não conseguem passar do ciclo básico. Vou tentar fazer o meu melhor afirmou a jovem concursada.

Tatiana conta que quis ser professora para seguir o exemplo de sua mãe, Elieth Raick, que trabalha na rede pública há 32 anos e também dá aulas de português.

Essa é a minha primeira matrícula, mas minha mãe me passou a vontade de ensinar alguma coisa às pessoas, de dar alguma expectativa de vida para os jovens cariocas confidenciou.

Violência

Com a mãe, Tatiana também aprendeu que a vida de professor não fácil, desde a carga de trabalho até a possibilidade de ter que dar aula em área de risco. Mesmo assim, nada a desestimulou.

Tenho uma noção muito boa do que é trabalhar em área de risco. Minha mãe já foi diretora na Escola Bahia, na Maré, e ela me contou tudo o que passou. Encaro isso como um desafio. Vou fazer o que puder. Essas crianças não podem ser penalizadas pelos problemas da sociedade. Se eu conseguir fazer metade do que eu sonho, estarei muito feliz concluiu.