Sindicato dos médicos processa Eduardo Paes por injúria

JB Online

RIO - O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SinMed) apresentou, nesta quinta-feira, um laudo explicatório para a suspensão do atendimento de emergência no Hospital Municipal Lourenço Jorge na última segunda feira. O sindicato vai processar o prefeito Eduardo Paes de injúria por ter acusado os médicos de não ter vergonha na cara .

- Paes fez dos médicos um bode espiatório, ele nos agrediu e xingou. Isso não é típico de uma autoridade pública, ele rompeu com a civilidade. Foi um desequilíbrio diante das dificuldades de governar a cidade ataca o médico Jorge Darze, presidente do SinMed.

O hospital oficialmente tem seis médicos clínicos disponíveis para o atendimento de emergências, porém de acordo com o SinMed, essa lotação nunca foi alcançada já que a equipe conta com três profissionais sendo um deles a chefe do grupo. Na segunda feira, dois clínicos estavam de férias e a responsável tinha que atender demandas burocráticas além de fazer vistoria nos pacientes internados. A médica era a única de plantão.

De acordo com o sindicato, a chefe teria comunicado, na sexta feira, ao responsável da emergência que ficaria sozinha no plantão e que outros profissionais deveriam ser disponibilizados. Os dois médicos cooperativados da unidade informaram que não teriam como cumprir o turno da segunda. De sexta feira até segunda feira, nenhuma providência foi tomada pela prefeitura.

A chefe da emergência ao assumir o plantão, fechou a emergência para que atendesse aos pacientes internados em estado grave. Ela tomou a atitude amparada pelo código de ética médica.

O SinMed aponta a não renovação dos contratos de cinco estudantes do sexto ano de medicina como agravante ao desfalque, eles faziam o atendimento ao público supervisionado por outros profissionais. Os contratos venceram no dia 31 de dezembro. O sindicato culpa exclusivamente a prefeitura pelo não atendimento dos doentes e acidentados que procuraram a emergência do Lourenço Jorge.

A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil, por meio da assessoria de comunicação disse que não foi avisada que faltariam médicos no plantão da segunda feira.

- A solução só vai vir quando o prefeito investir em remunerações dignas. O salário do médico no Rio de Janeiro é o menor do Brasil. Nós ganhamos menos que um gari da Comlurb compara Jorge Darze. Um médico recebe R$ 1300 por mês para prestar um plantão de 24 horas por semana.

O presidente do sindicato aponta alternativa para a falta de médicos nos hospitais municipais:

- Na rede municipal do Rio de Janeiro, trabalham 900 médicos federais. Esses profissionais já se dispuseram a dobrar a carga horária, o pedido já foi encaminhado para o Ministério da Saúde que até agora não aprovou nada. Esses profissionais iriam melhorar bem os atendimentos emergenciais.