Cientista político diz que Rio precisa mesmo de ordem

André Balocco, Jornal do Brasil

RIO - Cientista político e professor da PUC, Cesar Romero Jacob vê com bons olhos os primeiros passos da administração Paes. Nesta entrevista, ele fala da importância da ordem urbana para a e conomia da cidade e elogia a composição do secretariado, que mistura partidos aliados e técnicos. É preciso lembrar que ninguém governa sem base política .

Como vê o governo Paes?

Até o momento se destaca pela Operação Choque de Ordem, dando a impressão de que tudo está andando. Mas não tenho como dizer se as coisas estão sendo feitas de maneira adequada.

Foi um bom começo?

O Rio precisa de um choque de ordem. A desordem urbana em que a cidade está mergulhada atrapalha as atividades econômicas, os investimentos... As empresas vão embora temendo a desordem e a violência.

A desordem afeta o turismo?

O Rio é uma cidade turística com um grau imenso de desorganização. Todas as cidades decentes do mundo têm um centro limpo. Paris não teria o turismo que tem se o centro não fosse arrumado. Lisboa, Madri, Buenos Aires têm um centro organizado. Verdade que o nosso turismo está na Zona Sul, mas o Rio precisa disso. Mas não é só Choque de Ordem contra moradores de rua.

Como assim?

Ele deve ser mais amplo contra a favelização da cidade, que deve ter um plano habitacional que proporcione moradia decente. Deve atacar também a questão do transporte. Aqui, as vans fazem o que querem. Isso envolve muito mais.

O Choque de Ordem passa pela educação das pessoas?

Sim, claro, mas ele tem que começar por algum lugar. Outro dia, vi a população de rua lavando e pondo suas roupas para secar no jardim em frente ao aeroporto Santos Dumont. É preciso um mínimo de civilidade. A gente sabe que a Comlurb varre a Rio Branco inúmeras vezes por dia. É questão de educação.

Política. E o secretariado?

É preciso ver se a combinação de técnicos com representantes de partidos dará certo, mas não dá para governar sem apoio na Câmara.

O reordenamento da cidade passa apenas pela prefeitura?

Ir aos depósitos em vez de brigar com os camelôs é uma boa idéia, mas não se deve esquecer do contrabando. Deveria envolver os governos estadual e federal.