Soco quebra medidor de intensidade dos raios solares em Copacabana

Ana Paula Verly, Jornal do Brasil

RIO - De Santa Catarina, importou-se, em outubro, um aparelho útil em dias de sol forte. Instalado próximo ao Posto 5, em Copacabana, o totem da empresa Ozon-in indica o fator de proteção solar (FPS) necessário a partir da medição da radiação UV. Desde dezembro, porém, a única função dele é frustrar curiosos. Quem passa pelo calçadão invariavelmente se coloca diante do objeto para checar a informação. Em vão, pois parou de funcionar depois do soco de um vândalo.

Todo mundo comenta "nossa, que legal". É chato. A pessoa chega lá, olha, lê as informações, só que ele não funciona comenta o proprietário do quiosque ao lado, Duílio Bussoti, que acionou a concessionária Orla Rio para resolver o problema.

Técnicos da empresa tentaram várias vezes, e ainda tentam, consertar o totem, conta Duílio. Já trocaram peças, e nada. Foi em um fim de tarde que parou de funcionar. Um homem, possivelmente alcoolizado, desferiu um soco no painel, que não voltou a acender. A cada minuto, o aparelho media a incidência de raios UV, os relacionava com a escala da Organização Mundial de Saúde (OMS) e destacava, em luzes led, o FPS recomendado.

O consultor de informática João Dimitri, 30 anos, foi um dos que pararam na manhã de terça para descobrir a utilidade do totem semelhante a um cuca fresca. Elogiou a iniciativa e lamentou ter durado tão pouco.

É uma pena. Isso deveria ser espalhado em mais dois ou três pontos da praia, porque as pessoas não levam a sério os riscos da radiação. Se tivesse uma câmera próxima para identificar o vândalo, ajudaria bastante sugeriu João.

O amigo dele, Rogério Rodriguez, de 41 anos, criticou a depredação da novidade. Lembrou que esteve em praias espanholas, no último verão europeu, e não viu nada parecido.

Por causa do vandalismo, a população acaba privada de iniciativas assim. A burocracia do aluguel de uma bicicleta da prefeitura na orla é enorme para evitar furtos e depredação comparou.

A alguns metros do totem, está uma das vítimas mais emblemáticas dos vândalos: a estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, no Posto Seis, que fica sem os óculos quantas vezes for restaurada. O presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães, percebe que os alvos são sempre os mesmos. O furto dos cabos elétricos do túneis, que acabam às escuras, e a colagem de panfletos com propaganda de prostituição em telefones públicos incomodam mais. Horácio lembra que, no início da operação CopaBacana, em abril de 2007, 40 pessoas foram detidas por transformar os orelhões em "classificados do sexo" .

Por causa dos constantes furtos à noite, a Comlurb passou a ser obrigada a guardar os seus contêineres de plásticos, que ficavam permanentemente na praia, dentro dos postos de salvamento. As grelhas das galerias de águas pluviais, feitas de ferro, vêm sendo gradativamente substituídas por tampas similares de de concreto pelo mesmo motivo.

É uma falta de respeito impressionante com o patrimônio. O Drummond, coitado, vai ter de usar lente de contato. Já ficou sem os óculos umas seis vezes. Desta vez, tiraram só a metade. O Dorival Caymmi, também no Posto Seis, até que está resistindo comentou Horácio Magalhães.

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