Prefeitura ignora sinalização para pedestres ao reabrir rua em Copa

Ana Paula Verly, Jornal do Brasil

RIO - Se alguém ainda duvida de que a pressa é inimiga da perfeição, pode dar um pulinho em Copacabana e ver o que a correria da administração Cesar Maia deixou como legado para o bairro que tem o maior número de idosos da cidade: na ânsia de reabrir a Rua Raimundo Corrêa, em dezembro, a antiga administração simplesmente não pôs os sinais de pedestre no cruzamento. Lá, quem quer atravessar a rua tem de confiar na boa vontade dos motoristas, ou esticar o pescoço para ver o sinal posicionado para os carros. Fechado em 1995 pela prefeitura, o tráfego foi reaberto em outubro com a sinalização original de rua sem saída: um semáforo central e outro lateral, à direita da mão.

O pedestre não tem que raciocinar muito para atravessar a rua. Em qualquer cidade do mundo, ele não precisa ficar procurando o sinal. Na hora em que olha para frente, imediatamente a sinalização deve informar o que ele tem de fazer. Os ciclos são rápidos, e os pedestres não podem perder tempo. Ao chegar à interseção, têm de achar o sinal no ato defende o engenheiro de transporte Fernando McDowell.

Mesmo quando o tráfego estava interditado, a travessia provocava angústia. Por causa do comércio movimentado, uma das pistas é usada para descarga de caminhões, o que prejudica a visão do fluxo e obriga a descer ao meio-fio antes da hora.

É preciso instalar um sinal novo no local. Não pode haver vários tipos de sinais na mesma via. É uma questão de organização e de estética. O usuário precisa se sentir seguro ao atravessar a rua sugere o engenheiro.

A dona de casa Elza Botelho, 83 anos, comemorou a reabertura da via. Aliviada por não ter mais de enfrentar o trânsito da Avenida Copacabana e da Figueiredo de Magalhães para entrar de carro na Raimundo Corrêa, resignou-se com a falta de sinal no cruzamento.

Podia ter, mas não se pode ter tudo. Quando fechou, achei um absurdo. Está ótimo, se pensarmos por esse lado conforma-se Elza, há 73 anos no bairro.

O engenheiro Ronaldo Almeida tem a mesma opinião. Gostou da reabertura da rua, porque desafogou o tráfego na esquina da Figueiredo de Magalhães , mas, para ficar perfeito, perfeito , faltam os sinais de pedestres.

O presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães, lembra que um abaixo-assinado dos moradores ajudou na reabertura da via. Em 1995, durante o Rio Cidade, também foram fechadas, em Copacabana, as ruas Almirante Gonçalves, Dias da Rocha e Belford Roxo. Os outros casos foram aceitos pela população. Já o da Raimundo Corrêa terminou em uma audiência na Câmara.

Os sinais não foram reavaliados na reabertura. Ficou essa pendência. Quando a rua estava fechada, o sinal ficava desativado, só no alerta. A sinalização para os pedestres ficou a dever avalia Horácio.

Por meio da assessoria de imprensa, a CET-Rio informou que apesar da travessia ser segura , vai mandar uma equipe ao local para verificar a sinalização e a instalação dos sinais para pedestres.

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais