Fashion Rio 2009: malha, a base do inverno brasileiro

Iesa Rodrigues, Jornal do Brasil

RIO - A malha promete ser a base do inverno brasileiro, segundo os desfiles do Fashion Rio. À primeira vista falta nas passarelas o toque sensual, típico da criatividade nacional. Só na entrada de Grazi Massafera, na abertura da coleção de Walter Rodrigues, na noite de domingo, foi avistado um par de seios. Depois, Walter expandiu o tema das contradições do estilo masculino-feminino, com belos vestidos com decotes contornados por lapelas, em tecidos de alfaiataria desenvolvidos pela tecelagem Texprima. Em todos os desfiles as transparências são disfarçadas por echarpes e grossas golas de tricô, as saias estão decididamente mais longas.

Nesta segunda-feira a maratona abriu com a Redley levando os convidados para a Floresta da Tijuca, ambiente de natureza coerente com os looks em tons esverdeados, cinzas e marrons. Homens e mulheres de casacos e bermudas em patchworks de linhas retas ou camuflados revisados calçaram botas com faixas de velcro, usaram cachecóis e luvas de tricô. Tudo para dar impressão de inverno, já que os tecidos são algodões e malhas finas.

É roupa funcional e moderna, de gosto internacional, que podia dispensar o passeio pela floresta e os altos decibéis de música perturbando os animais.

Elenco de primeira

A malha e o tricô também foram estrelas da Mara Mac, que pensou na rota do chá para mostrar casacos, calças e vestidos de modelagens indefinidas, sem se apegar nem a saris indianos nem quimonos orientais, já que o tema era a bebida. O grupo Leão pegou carona e lançou chás branco e verde, como novidades. Foi um grande desfile, de timing certo, sem performances dispensáveis, com elenco de primeira. Isabeli Fontana, Ana Claudia Michels, Bruna Tenório, Marcela Dias, Viviane Orth valorizaram a coleção, que representou o grande show até agora no Fashion Rio.

Dá um pouco de aflição assistir a tantas meninas de tricôs e casacos, no calor de 37 graus da Marina da Glória, onde alguns camarins têm ar condicionado precário. Mas o evento lança o inverno, com o olhar para vários climas. Na Coven, por exemplo, há vestidos tomara-que-caia feitos em tiras elásticas, ao mesmo tempo em que são propostos conjuntos de calças e blusões de recortes em preto, marrom e marinho. Na grife Homem de Barro, a história do Menino do Dedo Verde resultou em conjunto harmonioso, com marrons e verdes distribuídos em bermudas, calças e capas sobre vestidos curtos (mas não muito) em estampas lavadas.

A estilista Aline Rebelo se esmerou nas aplicações e bordados quase invisíveis, de tão delicados. Os apaches e cowboys foram a escolha de Giulia Borges, integrante do grupo de novos designers do evento camisas de seda com palas em cores contrastantes e estampas com grafismos apaches marcaram o seu trabalho.

Nesta segunda também desfilaram o pernambucano Melk Z-da, a carioca Alessa e a grife paulistana TNG, com o ator Cauã Raymond como estrela.