Debatida na eleição, Zona Oeste sofre com favelização

Da Redação, Jornal do Brasil

RIO - Enquanto governo, oposição e candidatos à eleição passaram o ano discutindo formas de conter a favelização do Rio, moradores da Barra da Tijuca acompanharam o aumento do número de moradias irregulares, que avançaram sobre áreas verdes da região.

Não foi, claro, por falta de informação: em 2004, um artigo do Instituto Pereira Passos (IPP) já dava a dimensão do problema, ao denunciar que 150 novas comunidades o equivalente a 10 campos de futebol já haviam invadido a vegetação das encostas da região.

Estamos sempre falando e comunicando o fato à prefeitura e ao governo do estado, mas de nada adianta contou o vice-presidente do Conselho de Segurança Comunitária da Barra da Tijuca, Roberto Silva. A gente tenta, mas o prefeito já está acabando o mandato e agora é esperar pelo novo governo. Não vai ser nos últimos dois dias de prefeitura que vamos resolver o que não é feito há décadas.

Roberto Silva lista o entorno de Vargem Grande como uma das regiões que mais vêm sofrendo com o problema, que atinge ainda os arredores de condomínios de luxo da Barra da Tijuca. O Morro do Banco, no Itanhangá, é outra área que sofre com o descaso do poder público, que, apesar de ter proibido prédios com mais de três andares, é desrespeitado. Há ainda o alto da Floresta da Tijuca, área de responsabilidade do governo federal, além do entorno da Estrada dos Bandeirantes, na altura da Cidade do Rock.

Procurado durante todo a segunda, o subprefeito da Barra, Recreio e Vargens, André Duarte, não foi encontrado para falar sobre o assunto.

O comerciante Marcos Vasconcelos, de 62 anos, morador do Itanhangá, reclama da desvalorização de seu imóvel.

Foi um investimento da família que agora se vê ameaçado reclama Vasconcelos. Confiamos numa aposentadoria tranquila, sossegada, mas a ausência do poder público pôs tudo a perder, desvalorizando a herança que deixaria aos meus filhos.

Dez campos de futebol

O problema é tão antigo quanto estudado pelo município. Já em 2004, um levantamento do IPP constatou que havia 150 novas favelas ocupando o equivalente a 103 mil metros quadrados, o equivalente a 10 campos de futebol. Entre 1999 e 2004, as comunidades cresceram 6,4% na região de Jacarepaguá e Barra da Tijuca.

A favelização poderá ser um dos empecilhos para que o Rio de torne Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural pela Unesco, segundo o próprio prefeito eleito, Eduardo Paes. O título, inédito no mundo, será dado à cidade que melhor integre natureza à ocupação humana.

O prefeito, que assume o Executivo já no dia 1º, prometeu investir só no ano que vem R$ 820 milhões na reurbanização de favelas. Já o governador Sérgio Cabral prometeu para este ano mais R$ 2,9 bilhões em investimentos nas comunidades.