Blocos esquentam seus tamborins pelas ruas do Rio

Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A julgar pelo número de banheiros químicos que a Riotur vai colocar na rua, o carnaval 2009 promete. São 120 a mais do que em 2008 900 ao todo. Para quem já está legal de multidão e vai rumar para outras bandas nos dias de Momo, a boa pode ser aproveitar os blocos preferidos em janeiro, quando ensaiam livres da muvuca do feriadão. Até o desfile oficial, acontecem lançamentos de camisetas, de samba, rodas de samba, ensaios e afins, em lugares fechados e abertos, nos bairros de origem ou não.

O Escravos da Mauá aumenta a freqüência da tradicional roda de samba quando o carnaval se aproxima. Em janeiro, acontece nos dias 9, 16 e 23, no lugar de sempre o Largo de São Francisco da Prainha, na Rua Sacadura Cabral, na Praça Mauá. Neste fim de ano já teve o lançamento da camiseta e do DVD comemorativo dos 15 anos do bloco. A renda serve para contratar bateria e carro de som para o desfile, em 15 de fevereiro.

A gente não perde a oportunidade de se encontrar para cantar os sambas. À medida que vai chegando o carnaval, vai aumentando muito o público. Os ensaios reúnem até 3 mil pessoas. No bloco, saem 20 mil calcula uma das fundadoras e organizadoras do Escravos, Eliane Costa.

Em plena transição de governo, a Riotur ainda não tem estimativa do aumento do número de blocos e de foliões para 2009. Mas vai aumentar, como vem aumentando desde 2004, pressente o secretário municipal de Turismo, Rubem Medina.

Virou moda botar bloco na rua. Os blocos se multiplicam de forma impressionante há quatro anos, quando passamos a incentivar o carnaval de rua comemora Medina.

O diretor de operações da Riotur, Bruno Mattos, orienta os interessados em botar o bloco na rua a procurarem as subprefeituras de suas áreas a fim de fazer um cadastro.

É para darmos o apoio de trânsito, banheiros químicos e a limpeza das ruas. A prefeitura tem interesse em promover mais o carnaval de rua. O carioca está deixando de viajar para curtir aqui. Isso é muito bom anima-se Bruno.

Os ensaios parados não demandam tal preocupação dos organizadores. A presidentes da Sebastiana, associação de 12 blocos de rua, Rita Fernandes, explica que a dimensão dos eventos é muito inferior.

Mesmo que encha, não têm a proporção do que acontece no carnaval, quando a cidade recebe muita gente.

O presidente do Meu bem, volto já!, Jorgeto Sápia, percebe que os eventos pré-carnavalescos reúnem, geralmente, as pessoas mais ligadas ao bloco. Assim deve acontecer na segunda-feira, quando lançam a camiseta em um quiosque do Leme.

Vai ser uma roda de samba suave. Só para não passar em branco e ter as pessoas desfilando por aí com as camisetas depois descomplica Jorgeto.

O presidente da tradicional Sociedade Carnavalesca Embaixadores da Folia, Cláudio Cruz, diz que o bloco pára só na quaresma e depois tem evento o ano inteiro. Nos sábados de janeiro, começa às 17h, com uma roda de samba de 11 músicos, na Praça Braguinha, na Rua do Lavradio.

Ao fim tem um baile de carnaval parado. Todo sábado a gente faz isso. Fica lotado.

Os foliões não se incomodam de sambar parado ou se tem muita ou pouca gente.

O importante é ter um sambinha ou uma marchinha tocando ao vivo, para aqueles que viajam no carnaval não ficarem com a sensação de que não aproveitaram uma das festas mais importantes do ano resume a estilista Irene Contreiras.