Exército apura morte de militar

JB Online

RIO DE JANEIRO - Indignação e revolta. Estes são os sentimentos dos parentes e amigos do cabo do Exército Rafael Oliveira dos Santos, de 28 anos, e do segurança Paulo Marcos da Silva Leão, de 26. Os dois foram mortos em Brás de Pina, no subúrbio, na noite de terça-feira, em meio a uma perseguição policial a assaltantes que mantinham as vítimas reféns num seqüestro-relâmpago. Os bandidos também morreram. O Comando Militar do Leste informou que pediu abertura de sindicância para apurar as circunstâncias da morte do cabo.

A mãe de Paulo ficou em estado de choque ao saber da morte do filho e precisou ser internada. Segundo Vítor Hugo Mesquita, primo do segurança, a família chegou a encontrar Paulo com vida no valão onde o carro foi parar depois de capotar na perseguição.

Ele chegou a ir para o hospital, mas não resistiu. Foi tudo muito rápido. Foram três tiros, no ombro, na nuca e na lombar contou o primo Vítor Hugo Mesquita.

Na manhã de quarta, o delegado da Polícia Civil, Allan Turnowski, disse em entrevista coletiva que está do mesmo lado das vítimas.

O que dizer a essas famílias, ainda mais na véspera de Natal? Só posso afirmar é que a polícia está do mesmo lado delas, e que a população acompanha o dia-a-dia do policial, e sabe da complexidade de uma operação como essa.

Assistência do Exército

Em nota, o CML afirma que a família do militar está recebendo assistência do Exército. A nota informa que Rafael servia no 2º Batalhão de Infantaria, tinha 21 anos e estava no Exército desde março de 2006. Morador de Brás de Pina, deixou companheira e filho.

Testemunhas afirmaram que o segurança e o cabo do Exército estavam conversando, quando foram abordados por três bandidos armados em um Ford Fiesta. Dois motoqueiros passaram pelo local e desconfiaram de que se tratava de um assalto e chamaram a polícia.

Quando atiraram no carro, que caiu dentro do rio, logo em seguida, as pessoas inocentes saíram do carro gritando "tem inocentes aqui", e assim mesmo a polícia atirou relatou uma testemunha.

O delegado Allan Turnowski evitou comparações com o caso do menino João Roberto, baleado dentro do carro em que estava com sua mãe e irmão na Tijuca, em junho deste ano.

Não tem como comparar, não quero falar de outros casos. Nessa perseguição, houve um confronto comprovado. A ação foi legítima.

Paulo chegou a ser levado para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, mas não resistiu aos ferimentos.

A namorada, Vanessa Célia Ferreira, de 20, contou que falou com Paulo pouco antes do acidente.

Nunca teve envolvimento com roubo. Falei com ele às 16h e por volta das 17h20 recebi a notícia de que tentaram roubar o carro dele. Botaram ele e o amigo dele, Rafael, como refém e nisso estava passando uma patrulha que atirou em todo mundo, e o carro caiu dentro do valão afirmou a jovem.

Rafael tinha um filho de um ano e iria casar com a mãe da criança em fevereiro. A polícia acredita que os bandidos seriam da favela de Furquim Mendes, no Jardim América. O inquérito investiga versão de que houve troca de tiros. Os jovens teriam sido atingidos ao abrir a porta traseira do carro no momento do confronto.

Turnowski disse ainda que, caso essa versão não seja comprovada, os policiais, que continuavam em serviço nas ruas, receberão punição.

Não teremos o menor constrangimento em apurar a verdade e punir os culpados.