Milagre de Natal ilumina família na Cidade de Deus

Bruna Talarico, Jornal do Brasil

RIO - Faltava somente um dia para o Natal, e a família de Luís Carlos, 14 anos, composta por mais oito irmãos, a mãe e dois primos, estava reunida no primeiro andar do pequeno sobrado onde vivem, de favor, na Cidade de Deus. E foi quando cantavam sobre milagres talvez para pedir mais uma vez que, pelo menos este ano, o Papai Noel passasse para dar um abraço e os ouvidos aos desejos ainda inocentes das crianças que a visita do Bom Velhinho, finalmente, trouxe a esperança de um Natal feliz.

Papai Noel estava lá, nos 15 metros quadrados do pequeno apartamento do andar de cima, com a barba, os óculos, o gorro, a capa e a calça vermelhas, as bochechas rosadas e os olhos azuis. Assim como o sorriso que Luis Carlos e seus irmãos esperaram todos os anos, ao enviar as cartinhas endereçadas ao Pólo Norte.

Mas você é o Papai Noel de verdade? perguntou Ana Cláudia, 11 anos, a atenção dividida entre a presença em carne, osso e presentes do Bom Velhinho e a quantidade de embrulhos e pacotes que escondeu, quase por completo, a pequena sala do apartamento. É tudo para a gente?

Os presentes, coletados pelos inúmeros ajudantes de Papai Noel que se sensibilizaram com a história da família, divulgada há pouco mais de uma semana no Jornal do Brasil, perderam rapidamente seus embrulhos. Ficaram espalhados pela sala, em meio às roupas, comida e brinquedos que provocavam, quase ao mesmo tempo, riso e lágrimas.

Eu ganhei pipa, eu sempre quis ganhar pipa apontava, incrédulo, Altaír, 10 anos. É tudo mesmo pra gente?

Mas nem só de brinquedos, como bolas de gude, bonecas, carrinhos e jogos, foi feita a felicidade, ainda que passageira, da família. Papai Noel também trouxe comida, que ganhará seu destaque na primeira ceia de Natal de Ana Paula, 34 anos, mãe das crianças.

É um sonho, é mesmo um sonho repetia. Eu sempre quis isso, eu sempre esperei que o Papai Noel viesse visitar as crianças. E um sonho se realizou, mesmo com todas as pessoas dizendo para gente que ele não existia. Eu sabia que ele existia mesmo, e que ele ia vir para trazer um Natal Feliz.

A verdade é que as crianças não deram muita atenção à equipe de reportagem do JB. Afinal, o dia foi delas. Mas também foi da equipe, que ainda ganhou presentes da família: os seus sorrisos e uma caixa de bombom.